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A velocidade com que o mercado se move exige que as organizações sejam cada vez mais rápidas na entrega de produtos e serviços. Em um panorama de evolução tecnológica cada vez mais intensa, negócios e projetos devem trilhar um caminho crescentemente ágil, visando alcançar resultados transformadores. É nesse contexto que a adoção das metodologias de gestão ágil vem ganhando espaço.
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No entanto, embora não se discuta que sua implementação seja crucial na grande maioria das organizações, hoje há um ponto de atenção importante: o conceito acabou sendo, muitas vezes, banalizado e até mesmo confundido com imediatismo. Esta banalização, aliada ao alto grau de informalidade na execução da agilidade, pode gerar o oposto do que se espera – falta de confiança no sucesso da mesma. Isso leva a questionamentos como: a agilidade é realmente necessária? Será que posso aplicá-la em tudo? A resposta é “sim”, desde que se mantenha em mente os princípios mais básicos das metodologias ágeis.
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Dados recentes de uma pesquisa da Zendesk indicam que, embora as empresas reconheçam a importância de ser ágil e antecipar-se às demandas dos clientes, apenas 9% dos líderes de negócios e 11% dos gerentes e administradores demonstram ter as skills de agilidade necessárias. Ou seja, muitas vezes os executivos- e, por consequência, a organização com um todo- tem dificuldade em definir como começar sua jornada de agilidade.
Por outro lado, já está mais do que claro que a capacidade de ser ágil impacta diretamente na performance do time e da corporação. Estudo recente da multinacional de consultoria McKinsey & Company, aponta que a agilidade aprimora em até 65% os quesitos fundamentais como o relacionamento com o cliente, as operações, o engajamento dos funcionários e a produtividade como um todo, tendo reflexo positivo até mesmo nos resultados financeiros. Ou seja, já não é mais viável “ignorar” a agilidade ou deixar de implementá-la de forma adequada na empresa.
Conforme Susanne Andrade destaca em seu best-seller “O poder da simplicidade do mundo ágil”, as pessoas mudaram, o mundo mudou, e isso demanda de todos a adoção de uma atitude – individual e coletiva- de transformação, que deve ser constante e madura. A transformação ágil é a “virada de página” da corporação, voltada às pessoas, e visa antecipar a entrega de valor, tornando-a constante num ritmo sustentável e prezando a transparência, a adaptabilidade e a melhoria contínua. Isso significa que a agilidade transcende uma simples metodologia, passando a ser uma configuração cerebral ou mindset que busca entregar resultados constantes, visando um objetivo maior e comum a todos.
Os métodos, cerimônias, regras etc, não deixam de ser importantes, mas precisam ser acompanhados pela flexibilidade que o mundo de hoje exige para que seja possível cumprir com esses princípios.
E para tal, seguem algumas dicas podem ser o grande diferencial para o sucesso ao adotar a metodologia ágil:
Self agility
Não banalize a agilidade. Comece a transformação com atitude e novo mindset. Mantenha o seu próprio plano de melhoria contínua. Tal como escreveu o grande pensador Alvin Toffler: “o analfabeto do século 21 não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. Seja sempre uma versão beta de você mesmo. Faça um “review” para entender as conquistas, resultados e entregas que realizou e, em seguida, uma “retrospectiva” para entender o que precisa reaprender e colocar em ação. Ao contrário do imediatismo, que não mede os resultados, aplique esses conceitos ágeis no seu dia a dia, buscando entregar valor constantemente e de forma sustentável, sem gerar desgaste desnecessário. Desenvolva seus conhecimentos de metodologia em conjunto com o conhecimento do comportamento humano. Isso porque, se o foco da agilidade são as pessoas, este desenvolvimento é crucial.
Adoção de modelos
Não “copie” métodos ou fórmulas de sucesso. Se a agilidade foca nas pessoas e não existem duas pessoas iguais, do mesmo modo não existem duas organizações iguais. Se bastasse apenas reproduzir um modelo, todas as organizações já seriam ágeis. A implementação da agilidade precisa respeitar o tipo de negócio, a cultura, o contexto, entre outros fatores. Os princípios e boas práticas devem ser analisados e adaptados para cada realidade. Ao invés de copiar, inspire-se nas boas práticas e nos casos de sucesso, fazendo sempre as adequações pertinentes.
Transformação sustentável
Algumas organizações treinam seus profissionais nas metodologias e impõem a transformação com foco no cliente final, sem que os profissionais entendam de fato o objetivo e as vantagens. Ou seja, essa transformação não é sustentável. Além disso, a mudança perene precisa começar pelo mindset interno. Como uma organização pode entregar algo que não vive internamente? Para isso, fomente espaços de discussão e melhoria contínua em todas as áreas da empresa. Aplique os princípios mais básicos dos primórdios da agilidade, como por exemplo, o manifesto ágil, para que os profissionais entendam as vantagens do método.
Comunicação é essencial
Incentive a proximidade entre as diversas áreas e níveis da organização. Um “pecado mortal” da transformação ágil é querer manter “segredos” entre as áreas. Esse problema pode ser atenuado por intermédio da prática de gestão à vista, onde todos os profissionais sabem o que está acontecendo e podem propor melhorias. Esta prática não pode se limitar a uma área ou um nível, deve englobar toda a organização. Se o profissional está em um nível mais executivo, deve dar o exemplo e se aproximar do dia a dia para entender como funciona esse fluxo. Se está em níveis menos executivos, o ideal é simplificar a comunicação e não tentar demonstrar o domínio que tem sobre a metodologia. Traduza o “tecniquês” para uma linguagem que o executivo – de todas as áreas- compreenda.
A agilidade consegue antecipar resultados e evitar desperdícios de modo relativamente simples, desde que sejam respeitados seus conceitos mais básicos. O principal ponto é entender que se trata de uma transformação constante em prol da melhoria, da entrega mais assertiva, e de um modo de atuação mais sustentável.
*Carlos Baptista é professor e coordenador no Núcleo de Seleção de Alunos do MBA da FIAP. Especialista em transformação digital, atua como diretor da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano e é co-criador do Modelo Ágil Comportamental (MAC). Possui mais de 30 anos de experiência em TI no Brasil e Portugal.
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