Em um esforço para aumentar a proteção de jornalistas, ativistas e políticos contra ataques de hackers, a Apple anunciou nesta quarta-feira (6) o lançamento de um recurso chamado ‘Lockdown Mode’.

A nova configuração, que estará disponível para iOS 16, iPadOS 16 e macOS Ventura a partir do próximo trimestre, vai fortalecer a defesa de seus produtos — no caso o iPhone, iPad e Mac — de forma extremamente sofisticada.

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Segundo a empresa americana, o ‘Lockdown Mode’ poderá bloquear anexos de mensagens, desabilitar visualizações de links, desativar tecnologias de navegação na Web por padrão e bloquear convites e chamadas de FaceTime desconhecidas, entre outras funcionalidades.

Captura de tela de como funcionará o ‘Lockdown Mode’ no iPhone
Captura de tela de como funcionará o ‘Lockdown Mode’ no iPhone (Apple/Divulgação)

A medida ocorre após duas empresas de Israel explorarem falhas no software da Apple para invadir iPhones de forma remota sem a intervenção do usuário. Fabricante do Pegasus, provavelmente o spyware utilizado para realizar esses ataques, o NSO Group foi processado pela companhia americana e posto em uma lista de sanções comerciais por autoridades dos EUA.

Em sua defesa, o NSO alega que o malware é usado apenas a serviço de investigações contra “terroristas” e “pedófilos”, embora existam evidências substanciais de que a justificativa não procede.

Atualmente, o Pegasus é uma das ferramentas de vigilância mais perigosas em ação no mundo. O programa é capaz de monitorar todas as informações do celular ou computador da vítima e acionar sensores que sequestram a câmera e o microfone do aparelho afetado.

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US$ 2 milhões de recompensa por bugs no ‘Lockdown Mode’

Até tempos atrás, a Apple era criticada por abrir mão de pesquisadores de cibersegurança para encontrar falhas em suas plataformas. Isso mudou em 2016, quando a companhia americana lançou um programa de recompensa por bugs para o iOS. Após três anos, expandiu para outros produtos, afirmando que daria dispositivos de segurança especiais para colaboradores externos.

Sobre o tema, a Apple diz que pagará até US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 mi) para cada falha encontrada no ‘Lockdown Mode’ — no que a companhia diz ser “a maior recompensa por bugs” na indústria. Além disso, fará uma doação de US$ 10 milhões (em torno de R$ 54 mi) para grupos que detectam e trabalham para impedir hackers direcionados.

A empresa também destaca que os ataques contra os quais o ‘Lockdown Mode’ serve de escudo ainda são raros. Com isso, boa parte dos usuários não precisará ativar a nova configuração.

Crédito da imagem principal: Robert Coolen/Shutterstock

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