Temos visto nos últimos anos um discurso crescente a respeito de positividade. Quem ainda não ouviu um “Seja positivo” ou dicas de como vencer na vida dos famosos coaches provavelmente tem vivido afastado das redes sociais, onde as frases motivacionais reinam. Mas afinal, ser otimista ajuda? O excesso de positividade pode tirar os nossos pés da realidade e afetar a saúde mental

De acordo com a psicóloga Alessandra Augusto, pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia, é preciso, inicialmente, entender a diferença entre positividade e otimismo. 

publicidade
depressão
Positividade tóxica: excesso de otimismo pode afetar a saúde mental?. Imagem: AbsolutVision (Pixabay)

“É muito comum que elas sejam confundidas, porém são muito diferentes. A positividade tóxica é uma negação daquilo que está acontecendo ou até mesmo de como estou me sentindo naquele momento.  Não é o que está sentindo, mas algo imposto. O otimismo é ver o lado bom em cada situação, mesmo em situações difíceis. Nesse caso, você não nega o que sente”, explica a especialista, que ainda confirma que sim, a positividade exacerbada (considerada tóxica) pode comprometer a saúde mental e emocional. 

“A positividade tóxica pode trazer malefícios, além de afetar a saúde mental. Como a pessoa não consegue expor as emoções, ela acaba engolindo o discurso das falas positivas e abafando o que sente. Suprimir os sentimentos negativos, seja em nós mesmos ou no outro, não faz bem”, diz a psicóloga, orientando que “sentimentos precisam ser validados e acolhidos, não negados”, sendo necessário “se permitir sentir”. 

Leia mais! 

Como evitar a positividade tóxica? 

Evitar algumas frases e filtrar o que se ouve está entre as dicas de Alessandra para não cair na teia do que é irreal. Segundo a especialista, entre as expressões consideradas tóxicas estão: “você não está sentindo isso”, “está exagerando”, “não vale a pena falar sobre isso, porque isso sempre aconteceu assim e não vai ser você que vai mudar isso”. Todas diminuem os sentimentos do outro. 

“É importante se autoconhecer e entender seus limites para que a fala do outro não se torne um regulador de sentimentos. Ao se guiar pelo outro, você anula seu sentimento e com isso acaba somatizando.” 

Por outro lado, no campo do otimismo, onde não se nega o problema, frases como “eu entendo a sua dor e o que eu posso fazer para te ajudar?” auxiliam na solução e também trazem conforto, além de abrir espaço para que a outra pessoa possa compartilhar as emoções

“Devemos estar atentos com nossas falas para não prejudicar ou diminuir o sentimento do outro. Lembre-se que a positividade tóxica abafa e nega os sentimentos, diminui o que se está sentindo e temos que tomar cuidado para não fazer isso”, alerta a profissional. 

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!