A Sono Motors ficou conhecida no mercado automotivo por sua tecnologia de células solares que podem ser instaladas na carroceria de diversos tipos de veículos.

Nesta quinta-feira, 28 de julho, a empresa voltou às manchetes com a apresentação oficial do seu primeiro carro comercial movido a energia solar, o Sono Sion. 

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Entretanto, sua trajetória começou já há algum tempo através de uma campanha de financiamento coletivo e quase terminou no meio do caminho.

Como surgiu a Sono Motors?

A marca foi fundada em janeiro de 2016 por Laurin Hahn e dois sócios com a ajuda de uma campanha de crowdfunding na plataforma Indiegogo.

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Ainda em 2016, a empresa despertou o interesse de investidores que injetaram verba para o desenvolvimento de dois protótipos de veículos, que começaram a ganhar forma em 2017.

No ano seguinte, a startup participou de uma nova rodada de investimentos e apresentou um esboço do que viria a ser o Sion.

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Susto em 2019

No fim de 2019, os fundadores não conseguiram obter os fundos necessários para continuar o projeto e quase perderam os direitos de suas patentes. O Sono Sion, portanto, ficou perto de nunca chegar as vias públicas.

No fim, a saída foi recorrer novamente ao crowdfunding. Além de cobrar uma taxa de adiantamento de 500 euros para as reservas do veículo.

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A maré ruim começou a mudar em janeiro de 2020, quando a empresa anunciou que conseguiu captar 53,3 milhões de euros. Já em novembro de 2021, a startup abriu capital na bolsa americana Nasdaq e conseguiu levantar outros US$ 135 milhões.

Mais recentemente, em abril de 2022, assinou um contrato com a finlandesa Valmet Automotive para produzir os seus veículos. O plano inicial é fabricar pelo menos 260 mil unidades do Sion na sua linha de produção até 2030.

Segundo a página oficial da empresa, o modelo já possui mais de 19 mil unidades reservadas e as entregas começam em 2023.

Sono Sion

Sono Motors: saiba mais sobre a startup alemã
Energia do Sion é captada por meio de painéis solares na carroceria do veículo. Imagem: Sono Motors/Divulgação

De longe, o Sion se parece com um veículo compacto tradicional. No entanto, olhando com atenção, é possível notar os painéis solares embutidos no capô, teto e laterais do veículo cobertos por uma camada de polímeros protetores.

Segundo Arun Ramakrishnan, gerente sênior de integração solar na Sono Motors, o uso de polímeros no lugar de outros materiais como o vidro faz com que os painéis sejam mais leves, eficientes e baratos.

A energia gerada pelas células solares alimenta uma bateria de 54 kWh – que também é compatível com carregadores convencionais de até 75 kW e pode rodar mais de 5 mil quilômetros por ano, afirma a empresa. O conjunto de painéis pode adicionar 35 km de autonomia por dia no Sion. 

O modelo vai custar 25 mil euros, algo em torno de R$ 134 mil em conversão direta e será um rival para os carros elétricos mais básicos na Europa.

Um recurso interessante é que o carro também poderá ser utilizado como uma espécie de estação móvel de energia para alimentar outros eletrônicos e até para carregar carros elétricos, no entanto, com uma potência de até 11 kW, informa a fabricante.

Startup licencia a sua tecnologia desde o ano passado 

Para impulsionar o uso de sistemas similares, a Sono licencia uma tecnologia que pode ser utilizada em ônibus e caminhões a combustão desde 2021. Outra criação inovadora da empresa é o ‘Solar Bus Kit’, um painel solar que pode ser usado para alimentar o ar condicionado e toda a parte elétrica de veículos de grande porte.

Vale recordar que a startup declarou na CES 2021 que já planejava adotar essa estratégia. Na sua apresentação, a companhia chegou a mostrar um protótipo de caminhão com painéis solares capazes de gerar 80 kWh de energia.

Sono Motors: saiba mais sobre a startup alemã
 Imagem: Sono Motors/Divulgação

A EasyMile, uma empresa que disponibiliza ônibus para governos, universidades e empresas, foi uma das primeiras interessadas em integrar a novidade na sua frota de veículos. 

No fim, a ideia é que a tecnologia também seja utilizada até em veículos convencionais, refrigeração de cargas e outras finalidades no futuro, diz a empresa.

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