Um novo estudo identificou que mulheres com endometriose, distúrbio em que o tecido que normalmente reveste o útero cresce pela parte de fora do órgão, possuem um risco 34% maior de acidente vascular cerebral (AVC).  

A pesquisa, que acompanhou mais de 112 mil mulheres durante 28 anos, apontou que o fato está relacionado parcialmente pela ocorrência de histerectomias (remoção do útero) ou ooforectomias (remoção dos ovários). 

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“Conseguimos calcular que cerca de 40% disso poderia ser causado pela alta prevalência de histerectomia, com e sem ooforectomia, mas isso significa que há mais 60% que não pode ser atribuído a isso, que deve ter outros fatores em jogo”, explicou Stacey Missmer, autora do estudo e professora de obstetrícia, ginecologia e biologia reprodutiva na Faculdade de Medicina Humana da Universidade Estadual de Michigan, ao Medical News Today, que divulgou a pesquisa. 

Mulheres com endometriose podem ser mais suscetíveis ao AVC. Imagem: shutterstock

Dentre as exatas 112.056 mulheres acompanhadas, 5.244 foram diagnosticadas com endometriose. Dessas, 893 sofreram incidentes de AVC. 

Pesquisas anteriores já haviam relacionado a endometriose a um risco aumentado de doença cardíaca coronária. O levantamento atual, no entanto, também associou o risco, parcialmente, a terapia hormonal na pós-menopausa, com início aos 45 anos ou antes, além de mulheres com histórico de hipertensão ou colesterol alto.  

Diferenças significativas na relação entre endometriose e acidente vascular cerebral em vários fatores, incluindo idade, índice de massa corporal ou histórico de infertilidade não foram observadas. 

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Para Missmer, o estudo serve para conscientizar profissionais de saúde e pacientes com endometriose sobre os riscos das histerectomias (cirurgia de retirada do útero). 

“À medida que essa evidência constrói uma relação entre essa cirurgia específica e outros fatores de risco aumentados ao longo da vida, as mulheres precisam estar mais conscientes de que pode haver esses outros impactos de fazer essas cirurgias e os médicos que cuidam delas também precisam estar cientes disso”, explicou. 

O estudo foi publicado com livre acesso na revista científica Derrame. 

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