A Porsche acaba de realizar um estudo no tradicional circuito de Nurburgring sobre o potencial dos motores de combustão movidos a hidrogênio. A ideia da montadora alemã é entender como esse tipo de motor se comporta para criar uma unidade com a mesma potência e torque dos motores de alto desempenho a gasolina.

Vale notar que não se trata de uma solução baseada em célula de combustível de hidrogênio, como acontece em carros como o Toyota Mirai, por exemplo. Esses veículos usam o elemento como parte de uma reação química que gera energia para alimentar um motor elétrico. 

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Um motor de combustão de hidrogênio, por sua vez, segue os mesmos princípios da combustão interna. No entanto, em vez de usar gasolina para o processo, usa uma mistura de oxigênio e hidrogênio.

Para o estudo, a empresa escolheu o seu motor V8 twin-turbo de 4,4 litros a gasolina, modificado para rodar com hidrogênio.

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Motor V8 twin-turbo de 4,4 litros da Porsche foi adaptado para rodar com hidrogênio. Imagem: Porsche/Divulgação

Um dos desafios foi a turbo alimentação. “Para a combustão limpa do hidrogênio, os turbocompressores precisam fornecer duas vezes mais massa de ar do que nos motores a gasolina. As temperaturas mais baixas dos gases de escape também resultam em falta de energia para propulsão no escapamento”, explica Vincenzo Bevilacqua, especialista sênior em simulação de motores da Porsche Engineering.

Com uma configuração de turbocompressor convencional fora de questão, os engenheiros da Porsche tiveram que apresentar outras soluções. Uma delas foi usar turbocompressores assistidos eletricamente combinados com válvulas de controle no sistema de ar, algo inspirado nos carros de corrida da marca.

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“Para o estudo em questão, a equipe de desenvolvimento selecionou um sistema de turbo alimentação com compressores. A característica especial do projeto é o arranjo de dois estágios. O ar passa pelo primeiro compressor, é resfriado no intercooler e depois é recomprimido no segundo estágio”, explica Bevilacqua.

Resultados do estudo

No fim, a Porsche chegou a uma potência calculada de 590 cavalos, mesmo nível da unidade a gasolina. Segundo o Carbuzz, a montadora revelou que usou um veículo de luxo e com peso relativamente alto na sua pesquisa, o que leva a crer que se trata de um Panamera Turbo S modificado.

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Usando uma simulação digital, o modelo completou uma volta em Nurburgring em oito minutos e 20 segundos sem liberar hidrocarbonetos e monóxido de carbono. “Como se viu, as emissões estão bem abaixo dos limites estabelecidos atualmente e estão perto de zero em todo o mapa do motor”, disse Matthias Boger, engenheiro especialista em simulação de motores da Porsche.

Bevilacqua também avalia que o estudo permitiu obter informações valiosas sobre o desenvolvimento de motores a hidrogênio de alto desempenho. “Com esse know-how, estamos prontos para lidar com futuros projetos”, conclui o especialista em motores da Porsche.

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Via: Carbuzz

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