Um artigo publicado na revista científica Shock Waves aponta que a erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, nas redondezas do reino polinésio de Tonga, em janeiro deste ano, liberou mais energia do que a Tsar Bomba — a arma nuclear mais poderosa já detonada, lançada como teste pela União Soviética em 1961, em Nova Zembla, uma ilha no oceano Ártico.

A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço
A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço. Dados comparativos apontam que ela liberou mais energia do que a bomba nuclear mais poderosa já detonada. Imagem: NOAA/Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, coletaram informações de estações meteorológicas e mídias sociais em todo o mundo e os compararam com dados históricos para chegar à conclusão de que a erupção foi mais intensa do que a maior explosão provocada pela humanidade em todos os tempos.

Outro estudo recente revelou que a erupção de Tonga gerou ondas de gravidade acústica que atingiram a camada mais externa da atmosfera. A nova abordagem descobriu que um dos tipos registrados é chamado de onda lamb, que provocou um brusco aumento da pressão atmosférica nos locais por onde passou, seguido de uma fase negativa, antes de retornar às condições ambientais normais. 

Esse processo tinha aproximadamente 45 minutos de duração, e foram relatados nas redes sociais por entusiastas de meteorologia ao redor do planeta – dados que foram úteis nas medições dos cientistas. A título de comparação, terremotos normalmente duram alguns segundos ou, no máximo, poucos minutos.

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“A erupção foi equivalente a cerca de 61 megatoneladas (Mt) de TNT, enquanto a bomba Tsar liberou entre 50-58 Mt. A erupção vulcânica de Tonga liberou energia equivalente a um terremoto de magnitude 8,4, e a onda de pressão viajou várias vezes ao redor do globo”, disse Sam Rigby, professor sênior de engenharia de explosão e impacto na Universidade de Sheffield e coautor do estudo.

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“Em 15 de janeiro, a natureza nos fez nos sentir pequenos, desencadeando um evento em grande escala com consequências trágicas”, declarou Jorge Diaz, físico da Universidade de Indiana, nos EUA, e também coautor da pesquisa. “Este estudo mostra que essa poderosa erupção também gerou um projeto científico espontâneo e global, reunindo entusiastas e profissionais compartilhando abertamente suas valiosas medidas de todos os cantos do planeta para caracterizar as propriedades deste evento”.

Segundo os pesquisadores, seu estudo destaca o potencial da “ciência cidadã” para fornecer dados científicos importantes sobre o poder explosivo das erupções vulcânicas.

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