Nesta semana, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS) confirmou a morte de uma mulher de 42 anos por meningite na região que abrange a Vila Formosa e o Aricanduva, dois bairros da zona leste da capital. A nota, que também divulgou mais quatro casos de pessoas infectadas no mesmo local, levou muitos a se questionarem se todos os adultos da cidade precisam se vacinar contra a doença. Pensando nisso, o Olhar Digital entrou em contato com a SMS para esclarecer alguns pontos; confira mais abaixo as orientações! 

O caso relatado é um dos cinco de meningite meningocócica do tipo C registrados no período de 16 de julho a 15 de setembro na mesma região, o que configura um surto. Além da mulher, os demais casos são de um bebê de 2 meses e adultos de 20, 21 e 61 anos de idade. A situação de surto na capital, no entanto, não é a primeira. 

meningite
Imagem: shutterstock/Kateryna Kon

De acordo com nota enviada ao nosso portal, neste ano, foram registrados outros dois surtos localizados de meningite meningocócica em São Paulo. O primeiro foi entre os meses de janeiro e março, no Jardim São Luís, onde ocorreram três casos, sendo que duas pessoas vieram a óbito. O segundo ocorreu entre os meses de maio e junho, na região do Pari. Foram dois casos, com um óbito.  

A SMS esclarece que se considera surto da doença meningocócica quando há ocorrência de três ou mais casos do mesmo tipo em um período de 90 dias na mesma localidade. Na região do Pari, embora tenham ocorrido menos de três casos, foi classificado como surto em razão do número de casos relativo ao tamanho da população local”, disse a secretaria. 

publicidade

Após as notificações de casos e morte na região dos distritos de Vila Formosa e Aricanduva, a intensificação vacinal de moradores entre 3 meses e 64 anos foi fortemente recomendada, além de ações de prevenção e controle pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa). 

Leia mais: 

Eu preciso me vacinar contra a meningite? 

Atualmente, está acontecendo a Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite e a multivacinação (além da campanha contra a covid), que está disponibilizando diversas vacinas, o que inclui a da meningite, para o público-alvo que precisa se imunizar contra doenças.

Veja aqui a lista das vacinas disponíveis. 

Em seu esquema padrão, o imunizante contra a meningite meningocócica C é aplicado em bebês aos 3, 5 e 12 meses, e o de meningite meningocócica ACWY aplicado na faixa etária de 11 a 14 anos de idade. Vale lembrar aqui que a multivacinação termina na sexta-feira (30), mas, no caso da meningocócica ACW ela foi ampliada até junho de 2023. É importante que pais e responsáveis levem seus filhos aos postos de saúde mais próximos para a imunização, já que ela visa a prevenção de muitas doenças que, inclusive, correm alto risco de voltar ao Brasil, como a poliomielite – que causa a paralisia infantil. 

Outro ponto importante, conforme esclarecido pela SMS, a vacinação contra meningite para adultos só está sendo recomendada e oferecida aos residentes dos distritos do atual surto (Vila Formosa e Aricanduva). Nos demais locais de São Paulo a vacinação que ocorre é a de rotina (a padrão). Ou seja, se você não mora ou trabalha nesses locais não precisa se vacinar – a ideia é que você já esteja protegido a partir da vacinação de rotina recebida nas idades mencionadas acima. 

É normal que as pessoas não se lembrem de todas as vacinas que tomaram durante a vida, por este motivo é essencial ter a caderneta de vacinação. O cuidado com esses documentos (e outros relacionados a vacinação) pode ajudar nessa organização a respeito dos imunizantes. Se informar com a família ou na própria unidade de saúde também pode ser uma opção. Hoje, há também o ConecteSUS, que agora centraliza essas informações. É bom lembrar que a ausência da carteira de vacinação não impede o cidadão de se imunizar. 

Anvisa aprova uso de Pfizer em bebês acima de 6 meses
Imagem: Africa Studio / Shutterstock

“Em razão do atual surto localizado nos distritos da Vila Formosa e Aricanduva, a SMS ressalta que a intensificação da vacinação contra a meningite está sendo feita na área de abrangência de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBSs) locais. Para receber a vacina, pessoas de quaisquer idades que residem nessa região devem apresentar comprovante de endereço e, no caso de quem trabalha nas proximidades, basta apresentar comprovante trabalhista, como crachá, holerite, carteira de trabalho atualizada ou declaração com nome da empresa, endereço e carimbo”, indicou o órgão. 

Aos moradores da região, as UBSs locais que estão oferecendo a vacinação são: UBS Formosa II, Assistência Médica Ambulatorial (AMA)/UBS Integrada Guarani, UBS Jardim Iva e UBS Comendador José Gonzalez.

A Secretaria também esclareceu que em toda a cidade o número de casos de meningite diminuiu neste ano na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19. De janeiro até segunda-feira (26) foram notificados 56 casos de doença meningocócica em toda a capital. Durante o mesmo período de 2019 (janeiro a setembro) foram registrados 158 casos da doença, ou seja, uma redução de 64,5% no âmbito geral. O número de óbitos decorrentes da doença também registrou queda. Foram nove, ao todo, neste ano até o momento, ante 28 em 2019. 

“É fundamental que pais e responsáveis mantenham a vacinação de seus filhos em dia para protegê-los das chamadas doenças imunopreveníveis, como meningite meningocócica, poliomielite, difteria, coqueluche, sarampo, caxumba, entre outras. Vacinas salvam vidas e isso ficou ainda mais evidente na pandemia de Covid-19”, alertou o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco.   

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!