De vez em quando, os rumos da internet para os próximos anos simbolizam um assunto que passa por muitas pessoas, desde ‘usuários comuns’ até executivos de alto nível financeiro. Um dos bilionários que deseja “salvar” a web é Frank McCourt – mas sem o aval de gigantes tech.

Empresário de 69 anos e dono do Olympique de Marseille, equipe de futebol francesa, McCourt afirma em entrevistas que vem dedicando a maior parte do seu tempo às questões que envolvem a internet, como o sistema político mundial e a sociedade. O bilionário busca concentrar-se nos pontos fracos da web e colabora com vários projetos em universidades e ONGs europeias.

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Em uma entrevista ao portal Yahoo!, McCourt indica que a internet traz um problema que é “uma rápida erosão de nossa democracia e sistema político”. Segundo ele, essa questão vem crescendo em Boston, nos EUA, onde o empresário comanda seu negócio imobilário multigeracional.

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“Estou seriamente preocupado. Tenho certeza de que outros sentem exatamente o mesmo sobre o que é importante para eles e estão profundamente preocupados com o futuro do país e sua capacidade de sustentar o que é o maior experimento democrático de todos os tempos”, afirma McCourt.

Imagem: Reprodução/Shutterstock
Imagem: Reprodução/Shutterstock

Pensando nisso, McCourt fundou um grupo de empresas nomeado Unfinished, que busca “fortalecer a vida cívica” na era da internet. “Unfinished tem uma grande ambição, que é reimaginar o futuro do governo, tecnologia e cultura, para criar uma próspera democracia multirracial e uma economia justa. Essa é uma grande linha de fundo”, disse ele.

Em seguida, o empresário criou o Project Liberty, que trabalha na conexão específica entre tecnologia e democracia, e tem Martina Larkin como CEO, uma ex-integrante do Fórum Econômico Mundial. Segundo o bilionário, o projeto não é exatamente uma ação de tecnologia.

“O que quero dizer com isso é que a tecnologia é apenas uma ferramenta, como um martelo. Você pode pegar aquele martelo, sair e construir uma casa. Ou você pode pegar aquele martelo e sair e matar alguém. A mídia social tem sido o martelo que está matando as pessoas, não o martelo que constrói casas”, argumenta McCourt.

De acordo com o bilionário, o Project Liberty é um projeto de três vias para a internet: uma trilha de tecnologia DSNP (Distributed Social Networking Protocol), um caminho de governança e mais um com outros movimentos.

Imagem: Reprodução/Xavier Laine
Frank McCourt é dono do Olympique de Marseille, equipe da liga francesa de futebol. Imagem: Reprodução/Xavier Laine

“Eu não acho que vamos resolver a erosão da democracia se deixarmos isso para os tecnólogos. Precisamos de cientistas sociais, especialistas em governança e aqueles que podem nos lembrar da história. Também precisamos envolver a sociedade civil, os cidadãos que conhecem os impactos da internet”, explicou ele.

DSNP significa uma tecnologia em que os usuários poderiam colaborar com a construção de uma rede social descentralizada – algo como o e-mail funciona. É uma forma que utilizaria tecnologia blockchain e permitiria às pessoas controlarem seus próprios dados.

“Então, na verdade, estamos redesenhando a forma como a internet funciona, o que seria para as pessoas, não para as plataformas”, falou McCourt. “Fundamentalmente, precisamos dar às pessoas a propriedade e o controle de seus próprios dados e não permitir que nossos dados sejam sugados por algumas grandes plataformas. Eles monetizam e usam nossos dados de maneiras que nunca permitimos”, acrescentou.

McCourt também falou sobre o que seria um problema fundamental envolvendo a tecnologia e a internet nos dias atuais. Segundo ele, a arquitetura estrutural da web promove atos prejudiciais aos sistemas essenciais da sociedade.

“Quando você ‘se move rápido e quebra as coisas’, então coisas realmente importantes como a democracia estão sendo quebradas. Não há grades de proteção, não há valores embutidos na tecnologia para garantir que ela funcione da maneira pretendida”, disse o empresário.

Um projeto recente envolvendo DSNP na internet foi divulgado por Jack Dorsey, ex-CEO do Twitter: o Bluesky, que apresentaria as características descentralizadas discutidas. Depois da venda da rede social do passarinho azul, McCourt enviou uma carta para Elon Musk e procurou falar sobre protocolos que tornariam a empresa uma “verdadeira praça pública” da internet.

Informações via Yahoo!

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