Atualmente, é estranho achar pessoas que não possuem ao menos uma rede social. E crianças não ficam fora disso. Mas qual o efeito que isso pode ter nelas? Um novo estudo realizado por neurocientistas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, tentou algo novo. Eles realizaram diversas varreduras cerebrais em alunos do ensino médio, entre 12 e 15 anos. Esta idade é marcada por um período de desenvolvimento cerebral especialmente rápido. 

Foi possível observar que crianças com mais seguidores e engajamento nas redes sociais apresentavam uma trajetória distinta, com sensibilidade às recompensas sociais dos colegas, as quais iam aumentando com o tempo. Já os alunos não tão engajados tendem a ter uma queda no interesse pelas redes sociais, segundo o The New York Times.

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“Não podemos fazer alegações causais de que a mídia social está mudando o cérebro”, disse Eva H. Telzer, professora associada de psicologia e neurociência da Universidade da Carolina do Norte e uma das autoras do estudo. Mas ela acrescentou, “os adolescentes que verificam habitualmente suas mídias sociais estão mostrando essas mudanças bastante dramáticas na maneira como seus cérebros estão respondendo, o que pode ter consequências de longo prazo na idade adulta, preparando o terreno para o desenvolvimento do cérebro ao longo do tempo”.

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Os autores da pesquisa reconhecem suas limitações, já que a adolescência é um período de expansão das relações sociais, e as diferenças cerebrais podem refletir um pivô natural em relação aos colegas, o que pode estar levando ao uso mais frequente da mídia social.

Resultado da pesquisa 

O estudo ocorreu com 169 alunos, desde a sexta série até o ensino médio, e eles foram divididos pelas redes sociais que mais utilizavam. Ao começar pelos participantes mais jovens, os que visitam as redes com frequência costumam checar seu feed 15 vezes ou mais ao dia, já os usuários moderados verificam até 14 vezes, e os que não costumam ver suas redes, checam 1 vez.

As crianças receberam a varredura cerebral três vezes, em um período de até um ano. Eles tinham que jogar um jogo computadorizado que oferecia recompensas e punições na forma de colegas sorridentes ou carrancudos. 

Os resultados mostraram que “os adolescentes que crescem verificando as mídias sociais com mais frequência estão se tornando hipersensíveis ao feedback de seus colegas”, disse o Dr. Telzer.

“Eles estão mostrando que a maneira como você o usa em determinado momento de sua vida influencia a maneira como seu cérebro se desenvolve, mas não sabemos quanto, ou se é bom ou ruim”, disse Jeff Hancock, diretor fundador da o Stanford Social Media Lab, que não esteve envolvido no estudo. Ele disse que muitas outras variáveis ​​podem ter contribuído para essas mudanças.

“E se essas pessoas se juntassem a um novo time – um time de hóquei ou de vôlei – e começassem a ter muito mais interação social?”, ele disse. Pode ser, ele acrescentou, que os pesquisadores estão “percebendo o desenvolvimento da extroversão, e os extrovertidos são mais propensos a verificar suas mídias sociais”.

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