O órgão regulador Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o responsável por intermediar a produção e consumo de substâncias e serviços do país, no intuito de manter o controle sanitário do Estado. Com isso, a instituição decide, por exemplo, quais vacinas contra o Coronavírus demonstram eficácia comprovada e potencial para a utilização segura na população.

Após a disseminação do Covid-19 e a rápida mudança no quadro mundial de saúde, diversas indústrias farmacêuticas desenvolveram suas próprias vacinas, a fim de comercializá-las para os países acometidos pela infecção. Dentre as empresas, destacam-se a Johnson & Johnson, Pfizer, e Sputnik.

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Cada país detém sua própria instituição reguladora de saúde. Logo, as regras para classificar um serviço ou substância como segura é bastante variável. Atualmente, a Anvisa atesta a segurança e eficácia de cinco vacinas contra o Covid-19, sendo elas: Comirnaty (Pfizer/Wyeth), Comirnaty bivalente (Pfizer), Coronavac (Butantan), Janssen Vaccine (Janssen-Cilag), Oxford/Covishield (Fiocruz e Astrazeneca).

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EUA autoriza aplicação de vacinas atualizadas contra variantes da Covid-19
Enfermeiro preparando seringa com a vacina contra o Covid-19 (Reprodução: Viacheslav Lopatin/Shutterstock)

É importante ressaltar que estes dados mudam de acordo com a modificação do vírus, de maneira que as vacinas disponíveis agora podem apresentar atuação e desenvolvimento distintos das primeiras disponibilizadas no passado. A prova disso é que o agente viral passou por modificações genéticas e desenvolveu novas cepas, cuja resistência pode ser superior às dos primeiros insumos fabricados.

Diferenças sobre a tecnologia de cada vacina

  • Comirnaty (Pfizer/Wyeth) e Comirnaty bivalente (Pfizer): ambas utilizam o RNA mensageiro sintético. Ou seja, a vacina introduz no corpo humano uma “receita” de como produzir células eficientes de defesa para combater o Coronavírus. Isso é possível porque o RNA, além de trazer esta receita, também carrega uma parte do código genético do vírus, o que facilita a sua identificação.
  • Coronavac (Butantan): utiliza o antígeno do vírus inativado. Isto é, detém o agente infeccioso morto, que ao ser injetado no corpo, desperta uma resposta imunológica no organismo. Este método induz o corpo humano a produzir anticorpos específicos para combater a infecção.
  • Janssen Vaccine (Janssen-Cilag): utiliza como veículo uma mutação do adenovírus, o típico causador do resfriado comum. O veículo, modificado para não adoecer o paciente, oferece potencial para penetrar nas células humanas. Com isso, ele entra no organismo e o estimula a produzir células de defesa para combater a infecção. Estas células guardam uma memória do adenovírus, o qual imitava aspectos do Covid; então, quando o corpo entra em contato com o agente, já dispõe de células de defesa especializadas para combatê-lo.
  • Oxford/Covishield (Fiocruz e Astrazeneca): emprega um vetor viral não patogênico, ou seja, um vírus que não adoece o sistema imunológico ao ser injetado. Este vetor apresenta material genético do Covid-19 e ao entrar em contato com o corpo, estimula a reprodução de células de defesa.
Vacinas mRNA para Covid-19 estimulam a produção de anticorpos (Reprodução: CROCOTHERY/Shutterstock)

Como funciona o sistema de aprovação da Anvisa

O desenvolvimento, teste, e produção de relatórios são fabricados pelos laboratórios farmacêuticos e instituições de pesquisa responsáveis pela vacina. Estas mantêm um controle interno a respeito dos desdobramentos dos insumos, e após os últimos testes, elas entregam todos os dados disponíveis para os órgãos reguladores de vigilância sanitária de cada país.

Dentre os dados do relatório, constam notas sobre tecnologia utilizada, forma e temperatura de armazenamento, indicação para faixa-etária, possíveis efeitos colaterais, e mais. Só após o recebimento destes dados é que a Anvisa define uma regulamentação específica e avalia todos os processos de fabricação para assegurar a eficácia e segurança dos insumos.

Campanha de vacinação é iniciada após aprovação de vacinas para uso emergencial pela Anvisa
Vacinação contra Covid-19 é indicada pela Anvisa (Reprodução: Brenda Rocha-Blossom/Shutterstock)

Sobre os possíveis efeitos colaterais

Embora seja uma informação de caráter público, nem todo mundo sabe que os efeitos colaterais causados pelas vacinas são normais. Isso acontece, por exemplo, porque os insumos detêm pequenas amostras do vírus, o qual vai instruir o organismo sobre sua identificação e como produzir células específicas de defesa para combatê-lo.

Com isso, pode ocorrer o aumento do fluxo sanguíneo para ampliar a circulação celular e aumentar a temperatura corporal a fim de matar o vírus. A febre é geralmente associada à presença de doenças, mas ela acontece para nos proteger e matar os agentes infecciosos. Tanto é que efeitos colaterais leves ou moderados, tais como febre e dores musculares, comprovam a atuação da vacina no organismo.

Embora raríssimos, os efeitos graves costumam acontecer quando o paciente detém uma alergia a algum dos componentes utilizados na vacina. São casos extremamente isolados e que não costumam ser previstos, pois todo mundo, embora não saiba, têm alergia à alguma coisa.

Com informações: Anvisa.

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