Um estudo apresentado no último fim de semana na Conferência de Ciência Lunar e Planetária de 2023, realizada em Woodlands, no Texas, EUA, traz um alerta importante: é provável que nossas estimativas sobre os riscos de asteroides gigantes atingirem a Terra estejam muito abaixo da realidade – infelizmente.

Vamos entender:

  • Asteroides passam pela órbita da Terra todos os dias;
  • Presume-se que, a cada ano, cerca de 10 mil pedaços dessas rochas espaciais conseguem sobreviver à passagem pela atmosfera da Terra, impactando o planeta;
  • Geralmente, os meteoritos (como são chamados esses detritos de asteroides que caem na Terra) são pequenos;
  • Algumas vezes, no entanto, podem passar de quilômetros de extensão;
  • Esses impactos maiores podem provocar estragos catastróficos ao planeta, como a grande extinção em massa que matou os dinossauros há 66 milhões de anos;
  • As marcas deixadas por esses eventos na superfície são chamadas crateras;
  • É por meio dessas cicatrizes que os estudiosos analisam os impactos;
  • Ao examinar as dimensões e características das crateras, estipulou-se que o intervalo médio entre impactos fortíssimos seria de 600 mil anos;
  • Um novo estudo, no entanto, reduziu drasticamente essa estimativa, tomando por base as modificações sofridas pelas crateras ao longo do tempo.
Cratera de impacto em Winslow, Arizona, nos EUA. Essas cicatrizes de colisões de meteoritos dizem muito sobre os riscos de novos grandes choques. Imagem: turtix – Shutterstock

O responsável pela pesquisa que chegou a tal conclusão é James Garvin, cientista-chefe do Goddard Space Flight Center, da NASA, que acredita que podemos ter interpretado mal os vestígios de alguns dos ataques de asteroides mais graves que ocorreram nos últimos milhões de anos.

Se ele estiver certo, nosso planeta vê suas chances de ser atingido por algo brutal crescerem muito mais do que as previsões sugerem.

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Cicatrizes da Terra camuflam sua verdadeira história

O mais conhecido de todos os impactos de meteoritos (como se chamam os pedaços de rochas espaciais que atravessam a atmosfera da Terra), abriu um imenso buraco na crosta do que é hoje a península de Yucatán, no México, há cerca de 66 milhões de anos, exterminando os dinossauros e devastando a vida na Terra de uma maneira geral.

Batizado de Cratera de Chicxulub, esse buraco tem mais de 180 km de diâmetro, e é resultante do impacto de um asteroide de cerca de 15 km de diâmetro – considerando a média entre as diversas estimativas calculadas.

Imagens de radar revelam a topografia do anel de 180 km da Cratera de Chicxulub – Créditos: NASA/JPL-Caltech

Conforme destaca o site Science Alert, mesmo rochas muito menores ainda podem causar grandes estragos ao nosso planeta – e isso, até onde se supunha, poderia acontecer a cada 600 mil anos, aproximadamente.

Ocorre que esses cálculos podem ser comprometidos e seus resultados se mostrarem equivocados à medida que as “cicatrizes” da Terra estão em constante mutação – pela dinâmica dos ventos, da água e das placas tectônicas do planeta, por exemplo.

E tal registro fica mais difícil de ler quanto mais para trás olhamos, graças aos desgastes ocasionados por esses agentes na superfície terrestre. Segundo Garvin, mesmo eventos mais recentes podem ser difíceis de interpretar através de um acumulado de poeira e microrganismos.

Aumentam em 60 vezes as chances de um grande impacto de asteroide 

Ao usar um novo catálogo de imagens de satélite de alta resolução para dar uma olhada mais de perto nos restos desgastados de algumas das maiores crateras de impacto formadas nos últimos milhões de anos, o cientista e sua equipe pretendiam avaliar melhor o verdadeiro tamanho dessas cicatrizes.

Eles descobriram que várias dessas crateras apresentam anéis fracos além do que normalmente tem sido considerado suas bordas externas, efetivamente tornando-as maiores do que se supunha até então.

Acredita-se, por exemplo, que uma depressão de cerca de 13 km de largura no Cazaquistão, chamada Zhaminshin, tenha sido criada por um meteorito com um diâmetro de 200 a 400 metros que atingiu a Terra há cerca de 90 mil anos.

No entanto, com base na nova análise, este evento poderia ter sido ainda mais catastrófico, deixando uma cratera que está mais próxima, na verdade, de 30 km de largura.

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Os tamanhos de três outras grandes crateras também foram recalculados, todos dobrando ou triplicando. Isso pode significar que rochas quilométricas estão caindo a cada dez mil anos – um intervalo de tempo 60 vezes menor do que se imaginava.

É importante lembrar que pesquisadores da NASA e outros cientistas de todo o mundo examinam regularmente os céus em busca de asteroides que possam um dia representar um risco de impacto para a Terra. Rochas espaciais maiores que 140 m, com órbitas que passam dentro de 7,4 milhões de km do nosso planeta, são consideradas objetos potencialmente perigosos.

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