Você está pronto para viver em outro planeta? No que depender das ambições de Elon Musk, isso pode se tornar realidade em um futuro não tão distante quanto se pensa. O excêntrico bilionário pretende colonizar Marte e estabelecer por lá uma cidade autossustentável, que pode servir de lar para um milhão de pessoas, tornando a humanidade multiplanetária. E a Inteligência Artificial (IA) pode ter um papel fundamental nesse processo.

Para que os seres humanos consigam viver – e, principalmente, sobreviver – em qualquer lugar fora da Terra, é preciso que o mundo escolhido proporcione condições iguais ou, pelo menos, semelhantes às do nosso planeta (como atmosfera, temperatura, topografia etc.)

Marte, no entanto (e qualquer outro planeta do Sistema Solar) não é nem de longe parecido com a Terra, motivo pelo qual, para tornar possível sua colonização, é necessário “terraformá-lo” – ou seja, reproduzir naquele lugar um ambiente que ofereça as premissas mínimas de sobrevivência da raça humana. 

Para Fernando Buarque de Lima Neto, mestre em ciência da computação, membro sênior do Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) e professor associado da Universidade de Pernambuco (UPE) na Escola Politécnica de Pernambuco, a terraformação será um dos avanços da nova era da exploração espacial, com participação fundamental da IA.

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Fernando Buarque de Lima Neto, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade de Londres e membro do IEEE, entidade que exerce papel fundamental no processo de padronização e homologação de tecnologias de rede em todo o mundo. Crédito: Arquivo pessoal

A IA está presente em todas as cadeias. Sem ela é impossível avançar

Fernando Buarque de Lima Neto, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade de Londres e membro do IEEE, entidade que exerce papel fundamental no processo de padronização e homologação de tecnologias de rede em todo o mundo

Na visão do especialista, a terraformação (adaptação da atmosfera, da temperatura, da topografia e da ecologia de um planeta ou um satélite natural para deixá-lo em condições de sustentar um ecossistema com seres da Terra) é apenas um dos avanços esperados para a nova era da exploração espacial, além do incremento de novos materiais e da produção de complexos de propulsão de ponta.

Missões espaciais já usam a Inteligência Artificial como aliada nas pesquisas

Missões robóticas da NASA e de outras agências espaciais já usam a IA para obter maior eficiência e resultados de melhor qualidade em suas pesquisas. Como exemplo, podemos citar os rovers e landers que examinam as crateras marcianas e as sondas e telescópios espaciais que se dedicam à descoberta e análise de exoplanetas (mundos existentes em outros sistemas estelares).

As tecnologias empregadas no Programa Artemis também são dotadas de algoritmos específicos de aprendizado de máquinas, desde os instrumentos mais básicos até os trajes que serão usados pelos astronautas nas missões tripuladas à Lua, especialmente no que diz respeito aos recursos de suporte à vida.

Segundo Buarque, a IA na exploração espacial impulsiona a evolução de diferentes tecnologias na Terra. “A exploração espacial está promovendo um acentuado avanço na ciência, particularmente na pesquisa de novos materiais e processos”, diz o cientista. “E a IA é utilizada em todas as cadeias. Sem ela é impossível seguir adiante. Por exemplo, a aplicação de um modelo bioquímico no espaço é totalmente diferente de ser feito na Terra. Isso abre caminho para a elaboração de novos medicamentos e tratamentos. Os desafios no espaço levam à resolução de problemas complexos, nos beneficiando”.

Para ele, com a computação quântica, indispensável para viagens espaciais mais complexas, “vamos viver a 5ª revolução industrial, que será de disrupção para a humanidade”. 

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Cérebro e máquina

De acordo com o especialista, a grande questão humana ainda é descobrir como funciona o nosso cérebro. “Podemos construir uma espaçonave para viajar a quilômetros de distância da Terra, mas ainda não entendemos completamente como o nosso cérebro funciona”.

Buarque acrescenta que os cientistas não podem focar apenas em buscar a excelência em programas e projetos. “Temos que ser relevantes. Uma reflexão: não adianta ficar lançando constelação de satélites sem antes melhorar e disseminar. O primordial é melhorar o processamento, a computação dos dados, usando, por exemplo, modelos heurísticos, e compartilhar essas informações”.

Heurísticas são estratégias práticas que diminuem o tempo de tomada de decisão e permitem que as pessoas funcionem sem parar constantemente para pensar em seu próximo curso de ação. 

Do jeito que a IA vem avançando em todos os aspectos da ciência, a terraformação de outros planetas pode ser, apenas, uma questão de tempo.

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