Observadores do céu têm uma excelente programação para a madrugada entre esta quinta (4) e sexta-feira (5): um surto da chuva de meteoros Eta Aquáridas, que promete ser mais intenso do que a própria máxima desse evento anual.

A chuva dos meteoros Eta Aquáridas acontece quando a Terra atravessa a parte mais densa da trilha de detritos do cometa Halley. Cada pequeno fragmento deixado pelo cometa, ao atravessar a atmosfera do planeta em alta velocidade, gera um meteoro – fenômeno luminoso popularmente conhecido como “estrela cadente”.

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Durante uma chuva de meteoros, vários fragmentos da mesma trilha atingem a atmosfera. No caso da Eta Aquáridas, sua atividade se inicia em 15 de abril e vai até 27 de maio, com a chamada “máxima histórica” prevista para sábado (6). 

Segundo Bill Cooke, que litera o gabinete dedicado a meteoros no Centro de Voo Espacial Marshall, da NASA, este ano, essa chuva deve apresentar um surto de meteoros já nesta madrugada, quando a Terra atravessará uma nuvem de detritos deixada pelo Halley em sua passagem no ano 390 a.C.

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E por que o surto que vai acontecer nesta madrugada deve ser mais intenso do que a máxima? Quem explica é Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital.

“A máxima histórica ocorre quando passamos pela trilha deixada ao longo de milhares de anos. A trilha já está dispersa e uniforme e, por isso, a chuva é regular nessa época do ano. Já os surtos são gerados quando atravessamos os detritos ejetados recentemente. São como nuvens concentradas em um determinado ponto da órbita do cometa (no caso, do Halley). Essa nuvem está orbitando o Sol em uma trajetória semelhante à do cometa, então os surtos só ocorrem quando coincide de passarmos exatamente dentro dessa nuvem. E isso nem sempre ocorre na mesma data da máxima, mas, geralmente, próximo dela”.

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Duas chuvas de meteoro têm relação com detritos do cometa Halley

A Eta Aquáridas é a primeira das duas chuvas anuais de meteoros associadas ao cometa Halley. A outra é a Oriónidas, que acontece no mês de outubro, bem menos intensa.

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Todos os meteoros de uma mesma chuva atingem a atmosfera paralelamente uns aos outros. Isso porque seguem aproximadamente a mesma órbita do cometa ou asteroide de onde se originaram.

No entanto, devido ao efeito de perspectiva, para um observador na Terra esses meteoros parecem se originar de um mesmo ponto no céu, chamado radiante. No caso da Eta Aquáridas, esse ponto fica na Constelação de Aquário, próximo à estrela Eta Aquarii, que dá nome ao evento.

O Brasil está em um lugar privilegiado na Terra para testemunharmos o fenômeno, já que a Eta Aquáridas é mais predominante no Hemisfério Sul. “Por aqui, normalmente são esperados entre 50 e 60 meteoros por hora na máxima. No entanto, durante o surto desta noite, a expectativa é que essa taxa alcance algo entre 120 e 160 meteoros em apenas uma hora”, diz Zurita.

Meteoros dessa chuva também podem ser vistos ao norte da linha do equador, onde os observadores podem ver cerca de 10 a 30 meteoros por hora. 

Como ver a chuva de meteoros Eta Aquáridas

Tudo o que você precisa para ver o espetáculo é: escuridão, um lugar confortável para assistir e um pouco de paciência.

Zurita ressalta que uma chuva de meteoros é um espetáculo astronômico dos mais democráticos. “Pode ser observada por qualquer pessoa que tenha uma visão razoável e acesso a algum pedaço de céu. Não precisa de telescópios, câmeras nem qualquer equipamento especial. Basta ter disposição para perder algumas horas de sono e olhar para o céu”.

Normalmente, a taxa esperada para a máxima da chuva de meteoros Eta Aquáridas varia entre 50 e 60 rastros por hora, no entanto, este ano, por causa da Lua cheia, a estimativa caiu para algo entre 22 e 25 meteoros por hora. Crédito: BRAMON

O melhor momento de observação desta chuva, normalmente, é entre 3h30 e 5h30. Entretanto, o surto da Eta Aquaridas está previsto para ocorrer em torno da 1h da manhã (pelo horário de Brasília). 

“Nesse horário, infelizmente o radiante estará abaixo do horizonte, o que impede a observação desses meteoros”, explica Zurita. “Mas, por volta da 1h45, já deve ser possível observar os meteoros deste surto, partindo sempre da direção leste”.

Um app de observação, como Stellarium, Star Walk, Star Chart, Sky Safari ou SkyView, pode ajudar a encontrar a constelação de Aquário. Certifique-se de direcionar seu olhar para constelações próximas, e não diretamente para ela, pois meteoros mais próximos do radiante têm trilhas mais curtas e são mais difíceis de detectar. 

Vá para o local mais escuro possível e relaxe. Você não precisa de nenhum equipamento especial, como telescópios ou binóculos, pois o segredo é ter acesso ao máximo de céu possível e permitir pelo menos 30 minutos para que seus olhos se ajustem ao escuro.

Portanto, não perca essa oportunidade de ver lindas “estrelas cadentes” no céu e, como manda a tradição, fazer seus pedidos! Boa sorte!

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