Enquanto a Terra é um mundo rochoso, Júpiter, por sua vez, é um gigante gasoso quase 11 vezes maior em circunferência, com mais do que o dobro da velocidade de rotação. Além disso, ele está cinco vezes mais distante do Sol, sendo quatro vezes mais frio do que o nosso planeta. 

Com base nesses números, esses dois corpos não parecem ter muita coisa em comum. No entanto, um artigo publicado nesta terça-feira (23) na revista Nature Communications traz evidências que apontam para certa semelhança entre eles.

Imagem captada pela sonda Juno, da NASA, mostra a ocorrência de relâmpagos em Júpiter. Crédito de imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRi/JunoCam

Enquanto Júpiter tem uma atmosfera constituída principalmente de hidrogênio e hélio, a da Terra tem predominância de nitrogênio, oxigênio e vapor d’água. Mas, embora as atmosferas desses planetas tenham composições distintas, a pesquisa detectou que os relâmpagos são iniciados da mesma forma.

Segundo o estudo, o movimento convectivo impulsionado pelo calor das profundezas de Júpiter causa a separação de cargas dentro das nuvens, criando poderosos campos elétricos. Assim como na Terra, os relâmpagos podem saltar entre eles à medida que os campos se decompõem, embora lá isso ocorra principalmente perto dos polos, e não nos trópicos, como acontece aqui.

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Ao deslizar por alguns milhares de quilômetros acima do topo das nuvens de Júpiter, a sonda Juno, da NASA, pode detectar de forma constante sinais de rádio dos relâmpagos do planeta. A espaçonave consegue medir os pulsos de rádio produzidos pela eletricidade na atmosfera jupiteriana com uma resolução de um oitavo de milissegundo. 

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Animação criada com base em imagens captadas pela JunoCam, da sonda Juno, mostra uma viagem simulada às exóticas tempestades elétricas de alta altitude de Júpiter.

Assinado por pesquisadores da República Tcheca, Japão e EUA, o artigo relata que esses pulsos têm intervalos de um milissegundo de distância. As observações, concluem os autores, “sugerem extensões semelhantes a degraus de canais de relâmpagos e indicam que os processos de iniciação de relâmpagos jupiterianos são semelhantes ao início de relâmpagos intranuvens na Terra”.

As semelhanças param aí, no processo inicial. Na Terra, por exemplo, geralmente há de três a seis golpes em relâmpagos próximos ao solo, enquanto os pulsos de rádio de Júpiter surgem principalmente em lotes de cinco. 

Por um lado, os autores concluem que os relâmpagos viajam a velocidades semelhantes dentro das nuvens de Júpiter e da Terra. Por outro, propõem que, por lá, os canais de raios podem ter alguns milhares de metros de comprimento. E, embora megaflashes de raios de centenas de quilômetros de comprimento já tenham sido registrados na Terra, a maioria é menor do que aqueles que ocorrem no maior planeta do Sistema Solar.

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