A IA (inteligência artificial) está sendo cada vez mais utilizada para lidar com os impactos das mudanças climáticas – e o último anúncio do Google é um exemplo disso. Agora, países da África, Europa, América do Sul e Central, bem como da região da Ásia-Pacífico, podem usar o Flood Hub, plataforma com IA da empresa que exibe previsões de enchentes.

O que você precisa saber:

  • O Google anunciou que o Flood Hub, plataforma com IA que prevê enchentes, agora está disponível para países da África, Europa, região da Ásia-Pacífico, e América Central e do Sul (entre eles, o Brasil);
  • A plataforma da empresa consegue prever inundações com até sete dias de antecedência;
  • Porém, o Flood Hub se concentra apenas em inundações ribeirinhas;
  • As mudanças climáticas podem fazer com que esse tipo de enchente se torne maior ou mais frequente.

Desde segunda-feira (22), governos, organizações humanitárias e pessoas em 60 países, localizados nas regiões citadas, podem acessar as informações de previsão de enchentes do Google até sete dias antes de elas ocorrerem.

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Como essa IA do Google funciona

Pessoa segurando celular com Flood Hub aberto e, ao fundo, paisagem com enchente ribeirinha
(Imagem: Divulgação/Google)

Lançado inicialmente em 2021, o Flood Hub exibe previsões de inundações ribeirinhas – ou inundações que ocorrem quando córregos ou rios transbordam de suas margens e áreas circundantes. Assim, a plataforma mostra quando e onde é provável que as enchentes ocorram.

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O Flood Hub combina dois modelos típicos de previsão para projetar a quantidade de água que flui para um rio. Ao mesmo tempo, a plataforma consegue prever quais áreas serão afetadas e a profundidade esperada da inundação.

A IA desempenha um papel central na plataforma, explorando fontes de dados públicos, como imagens de satélite, medidores de nível de água e leituras de estações meteorológicas.

Isso é importante porque as mudanças climáticas causadas pela “ação humana” sobre o planeta podem fazer com que esses tipos de inundações se tornem maiores ou mais frequentes do que costumavam ser, de acordo com a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos).

Cobertura do Flood Hub

Ribeirinhos durante enchente
(Imagem: Reprodução/Corpo de Bombeiros)

Regiões com altas porcentagens de população vulneráveis ​​ao risco de inundação – por exemplo: Holanda, Vietnã, Laos e Camboja, bem como Mianmar, que acabou de ser atingida pelo ciclone Mocha – agora estão na lista de lugares “cobertos” pelo Flood Hub, do Google.

Também dá para usar a plataforma em partes do “corredor seco” da América Central, isto é, na Nicarágua, Honduras e Guatemala. Por lá, as mudanças climáticas e os conflitos colidem.

À medida que continuamos melhorando nossos modelos globais baseados em IA para previsão de enchentes, continuaremos apoiando comunidades em risco com tecnologia para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Yossi Matias, vice-presidente de engenharia e pesquisa e líder de resposta a crises no Google, em artigo para o blog da empresa

Porém…

O Flood Hub se concentra em inundações ribeirinhas. Ou seja, a plataforma deixa as pessoas afetadas por enchentes repentinas, inundações urbanas e inundações costeiras sem os mesmos benefícios de alerta precoce.

Além disso, é importante ressaltar que cerca de 37% da população mundial nunca acessou a Internet, com muitos no Sul Global, onde as regiões são desproporcionalmente vulneráveis ​​a riscos climáticos, com taxas de chuva mais altas.

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