Moradores de algumas cidades no interior de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás foram surpreendidos por uma trilha de luzes rasgando os céus na noite desta segunda-feira (19), por volta das 19h (pelo horário de Brasília). Em pouco tempo, diversos vídeos foram compartilhados nas redes sociais mostrando a cena do que parecia ser um meteoro passando muito lentamente. 

De acordo com a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON), o fenômeno também pôde ter sido visto no Paraná e no Espírito Santo.

No registro abaixo, feito pelo Observatório IDS Meteor, vê-se o momento exato em que o objeto ainda não identificado cruza o céu em Patos de Minas (MG) às 18h36. Duas câmeras capturaram o fenômeno de ângulos diferentes. De acordo com a publicação, “ainda não se sabe se pode ser um meteoro ou reentrada de lixo espacial”.

Ainda em Minas Gerais, houve registros também em Barbacena, conforme o vídeo abaixo, além de Uberlândia, Sacramento, Araxá, Guimarânia, Patrocínio e Carmo do Paranaíba.

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Em São Paulo, há relatos das luzes vistas em Araraquara, Pirassununga, Mococa, Rio Claro, Santa Rita do Passa Quatro, Descalvado, São Carlos, São José dos Campos e Colômbia.

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Meteoro ou lixo espacial?

De acordo com o colunista do Olhar Digital Marcelo Zurita, que é presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da BRAMON, os relatos enviados até o momento para a organização por meio deste formulário geraram o seguinte mapa de ocorrências:

Mapa de relatos da passagem de um meteoro na noite de segunda-feira (19). Crédito: BRAMON

“Houve muita dúvida, no início, se esse objeto seria uma reentrada de lixo espacial, por sua passagem ter sido bem lenta, ou se seria um meteoro (evento luminoso decorrente da passagem de uma rocha espacial pela atmosfera)”, explica Zurita. “Mas, depois dos cálculos que fizemos, concluímos que, pela velocidade do objeto, ele não tem como ser algo em órbita da Terra. Com isso, descartou-se a possibilidade de ser lixo espacial. Os cálculos indicam que a rocha espacial atingiu a atmosfera num ângulo muito raso, e ela acabou percorrendo uma enorme distância na atmosfera e se desfazendo lentamente, enquanto passava a uma altíssima velocidade, mas muito alto no céu”.

Segundo o especialista, “não há chance de qualquer fragmento ter resistido à passagem pela atmosfera e ter gerado meteoritos em solo”.

Pelos cálculos concluídos pela BRAMON, a rocha espacial atingiu a atmosfera da Terra em um ângulo de 4,9° em relação ao solo e começou a brilhar a 72 km de altitude sobre Serra da Piedade (MG). Depois, seguiu a 53,1 mil km/h, percorrendo 442,2 km em 30 segundos, e desapareceu a 34,3 km de altitude, sobre o município de Elias Fausto, SP.

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