Um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro de Regulação Genômica (CRG) em Barcelona, Espanha, e do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular da Associação Helmholtz, em Berlim, Alemanha, detalhou a forma que as células aceleram as mudanças em nossa identidade.

Esse processo é conhecido na medicina como conversão do destino celular e pode ser determinante para acontecimentos futuros em nosso corpo.

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Publicada na revista eLife, essa pesquisa foi conduzida como projeto de extensão da pesquisa sobre o câncer — já que a doença geralmente se mostra quando ocorrem decisões erradas do organismo sobre o destino das células.

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Os pesquisadores analisaram a C/EBPα (CCAAT/enhancer-binding protein alfa), proteína responsável pela conversão de linfócitos B em macrófagos — outro tipo de célula imune. Essa proteína liga a sequências específicas de DNA nas regiões reguladoras dos genes para influenciar a taxa de transcrição, sendo o primeiro passo da ativação ou silenciamento da expressão da proteína.

  • Os fatores dessa transcrição desempenham papel importante na transformação de tipo de célula em outro durante a diferenciação e desenvolvimento, assim como no crescimento e função das células;
  • A C/EBPα pode ser modificada por enzimas — como a adição de um grupo metil a aminoácidos específicos —, e essas alterações podem ter efeitos significativos nas interações da proteína; 
  • Quando um resíduo específico de arginina de C/EBPα não passa pela metilação, ele acaba acelerando o processo de conversão de linfócitos B em macrófagos, aponta o estudo.

Ao entender como a conversão do destino celular pode ser acelerada ou direcionada, descobrimos novas pistas para a pesquisa do câncer. Por exemplo, visando o equilíbrio entre as formas metiladas e não metiladas de C/EBPα pode nos ajudar a entender como as células imunológicas se diferenciam e, eventualmente, levar a novas ideias para o tratamento de certas formas de leucemia.

Dr. Thomas Graf, autor sênior do Center for Genomic Regulation

Os determinantes da velocidade e a direcionalidade das decisões do destino celular ainda são desconhecidos, reconhecem os autores do estudo, mas a pesquisa propõe que os dois processos são diretamente ligados.

Conseguir analisar melhor como as células mudam de identidade e como manipular o processo poderá revolucionar a medicina regenerativa até auxiliar na produção de medicamentos mais eficazes contra o câncer.

Com informações de Phys.org

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