Nesta semana, viralizou um vídeo que mostra os bastidores de uma arremetida no aeroporto de Congonhas, Zona Sul de São Paulo (SP).

O procedimento é seguro e normal e se caracteriza pelo aborto de pouso previsto pouco antes de sua aterrissagem.

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Entre as possíveis razões para uma arremetida, estão:

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  • Questões climáticas (como chuva ou vento fortes);
  • Operacionais (por exemplo, quando há um avião ocupando a pista);
  • Obstáculos (como animais, pedras, etc.);
  • Mudança repentina na direção ou velocidade do vento.

É um procedimento executado pelos pilotos na aproximação para o pouso em que se decide não mais pousar naquele momento. Isso pode acontecer tanto quando o avião ainda está voando, quanto quando ele já tocou o solo. O piloto, então, decide que é mais seguro o avião voltar a voar do que continuar o pouso ou parar sobre a pista.

Mateus Ghisleni, piloto de avião

Ainda de acordo com Ghisleni, “turbulências muito fortes na aproximação também levam o piloto a decidir pela arremetida. Às vezes, o próprio controle de tráfego aéreo, na torre, pede para arremeter por algum procedimento, tais como a medição da quantidade de água na pista”, explica.

Manobra

A manobra de arremetimento é realizada exatamente para aumentar a segurança do voo. Ghisleni conta que, por vezes, o piloto nem precisaria arremeter, mas, para manter o alto padrão exigido das companhias, ele pode optar em fazer a manobra. O piloto cita outro exemplo:

Às vezes, um piloto percebe que está descendo com velocidade um pouco mais alta do que o padrão. Vai acontecer algo grave se ele decidir pousar assim mesmo? Não. Mas, como a companhia estabelece outra velocidade padrão de decida, o piloto decide arremeter e voltar.

Mateus Ghisleni, piloto de avião

Os pilotos são bem treinados para essas situações – eles realizam treinamentos específicos em simuladores a cada seis meses.

Pode acontecer, claro, de o avião precisar arremeter mais de uma vez. Nesse caso, o piloto decide se tentará a manobra uma terceira vez, ou se desiste e tenta outro aeroporto. Tal situação é comum em casos de condições meteorológicas ruins, como muitos vento, chuva, névoa.

Mas não se preocupe, pois aviões de voos comerciais regulares no Brasil incluem, obrigatoriamente, em seu plano de voo, combustível a mais para isso, até mesmo para ir e voltar ao aeroporto de origem.

O passageiro tem que ter em mente que, se o piloto resolveu não pousar e arremeter, é porque foi a melhor medida a ser tomada. Para muitos, pode não parecer. Mas, para quem trabalha no setor de aviação, arremeter é algo simples.

Mateus Ghisleni, piloto de avião

E o caso do vídeo que viralizou nesta semana?

Apesar de o vídeo ter circulado apenas nesta semana, ele é de dois anos atrás, de acordo com a Azul – não tendo nada a ver com o ciclone extratropical que atingiu São Paulo e causou arremetidas na última semana.

A aeronave do vídeo é um Airbus A320 Neo da companhia aérea brasileira, de prefixo PR-YRR. Porém, a empresa não informou a origem do avião e nem o número do voo.

O que acontece no vídeo

  • De forma tranquila, o comandante avisa ao copiloto que, caso a pista esteja molhada, haverá uma arremetida;
  • Ele observa, ainda, a existência de vento de cauda soprando na direção do avião e aumentando a velocidade em relação ao solo;
  • O avião se aproxima de Congonhas mais alto do que o normal, após o ponto certo para encostar as rodas no solo;
  • A pouco mais de um metro e meio do solo, um alarme indicando que a pista está muito curta é acionado, ou seja, não haveria espaço suficiente para a manobra de pouso;
  • O comandante determina a “Toga”, que significa, em português, “decole e dê a volta”. Nessa manobra, a tripulação aplica potência máxima aos motores, permitindo subida rápida;
  • Após, ele orienta o copiloto a reportar vento de cauda ao controle de tráfego aéreo do aeroporto.

Sobre a manobra, a Azul afirmou que o piloto agiu de forma correta e, como dito acima, a arremetida é algo padrão e prevista na aviação.

O que afirma a Azul

A Azul informa que o vídeo em questão é de dois anos atrás, em pouso realizado no aeroporto de Congonhas, que mostra procedimento padrão e previsto na aviação, que é a arremetida precedida por aviso do sistema que calcula se o comprimento da pista disponível é suficiente ou não para a parada da aeronave. Caso a distância calculada não seja a ideal, o sistema emite sinais sonoros e visuais para que a tripulação prossiga com o procedimento de segurança, valor número um da companhia. A Azul esclarece também que o comandante seguiu corretamente as instruções, optando pela arremetida.

Azul, em nota oficial

Com informações de g1 e g1

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