Um artigo publicado nesta quarta-feira (2) na revista Nature descreve a descoberta de restos mortais de uma baleia que viveu há 39 milhões de anos e pode ter sido o animal mais pesado de todos os tempos.

É possível que o monstro marinho pré-histórico, denominado Perucetus colossus, tivesse até o dobro da massa da baleia azul (Balaenoptera musculus), que pode chegar a 200 toneladas.

“Usamos a fração esquelética para estimar a massa corporal de P. colossus, que se mostra um candidato ao título de animal mais pesado já registrado”, relata a equipe liderada pelo paleontólogo Giovanni Bianucci, da Universidade de Pisa, na Itália.

No oceano, há mais espaço de manobra, com a flutuabilidade neutralizando os efeitos da gravidade que colocam maior estresse nos corpos dos animais terrestres. E para os cetáceos – mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos – há um benefício em ser maior: ajuda a evitar a perda de calor na água, que tem alta condutividade térmica para o ar.

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No entanto, um estudo recente descobriu que mesmo para baleias que se alimentam de filtros, como baleias azuis, há um limite de tamanho superior. O baixo custo metabólico de tal estratégia de alimentação permite que as baleias se mantenham na costa com um mínimo de gasto energético – mas é limitado pela disponibilidade de presas.

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Massa estimada do possível animal mais pesado de todos os tempos

O tamanho da espécie P. colossus foi estimado a partir de uma série de ossos recuperados do sul do Peru: 13 vértebras, quatro costelas e parte de um osso do quadril, pertencentes a um grupo dos primeiros cetáceos totalmente aquáticos conhecidos como basilossaurídeos. Uma análise minuciosa sugere que o espécime não estava totalmente crescido.

Com base em uma comparação com baleias conhecidas, Bianucci e sua equipe estimaram que a massa corporal do animal variava entre 85 e 340 toneladas.

Um modelo 3D de P. colossus (no topo) comparado a uma jovem baleia azul (no meio) e ao extinto basilossaurídeo Cynthiacetus peruvianus. Créditos: Florent Goussard/Curadores do Museu de História Natural/Marco Merella

Os ossos também mostraram um alto grau de espessamento e densificação – características frequentemente vistas em mamíferos marinhos para fornecer lastro natural, permitindo que eles tenham pulmões maiores.

A época em que P. colossus viveu, no meio do Eoceno, foi particularmente rica para o tipo de alimento que a baleia pode ter comido, o que teria permitido que ela crescesse tanto. Os pesquisadores acreditam que ela era relativamente lenta, preferia habitats costeiros e vivia perto do fundo do mar em águas rasas.

Mudanças na ecologia do oceano teriam então visto o declínio subsequente da espécie. “Este novo registro apoia a hipótese de que os basilossaurídeos se hiperespecializaram em habitats costeiros durante o final do Eoceno”, escrevem os pesquisadores, “e que a subsequente grande queda na produtividade desses ambientes pode ter impactado essas baleias, dando lugar a seus parentes (os ancestrais das atuais baleias e golfinhos) que invadiram habitats mais offshore”.

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