O novo projeto de Sam Altman, fundador da OpenAI, já encontrou uma forte resistência no Quênia: o governo do país africano ordenou o fim da coleta de dados da Worldcoin, empresa que cadastra a íris das pessoas para criar um “passaporte digital”. As autoridades quenianas estão preocupadas com potenciais riscos de segurança e privacidade que o projeto representa.

Lançada no fim de julho, a Worldcoin chamou rapidamente a atenção de muita gente, e pessoas formaram filas para ter a íris cadastrada pelo serviço.

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A Worldcoin quer criar um “passaporte digital” único a partir da íris dos olhos das pessoas, para depois vinculá-las ao aplicativo World App que promete funcionar como uma carteira para moedas digitais.

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Mas o governo queniano não gostou da ideia. Em um comunicado emitido pela Autoridade de Comunicação do país africano, o governo afirmou que vai avaliar o projeto da Worldcoin devido à “falta de clareza no armazenamento e segurança” das informações de íris coletadas dos usuários. Além disso, as autoridades citam “incertezas” relacionadas às criptomoedas que serão vinculadas aos olhos das pessoas.

Por fim, as autoridades do Quênia questionam os incentivos oferecidos pela Worldcoin para fazer pessoas entregarem os dados para a empresa.

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Quenianos receberam criptomoedas em troca de dados da íris

De acordo com uma reportagem do site Rest of the World, a Worldcoin ofereceu 25 de suas criptomoedas para os quenianos que aceitarem ter os dados da íris coletados para o serviço — o valor é equivalente a 7.100 xelins quenianos, ou cerca de R$ 250, em conversão direta.

CEO da OpenAI, Sam Altman, durante evento
Sam Altman, CEO da OpenAI. Imagem: Wikimedia Commons

O problema, diz o Rest of the World, é que a maior parte das pessoas que aceitaram o pagamento não sabiam do escopo do projeto da Worldcoin, e estavam entregando os dados apenas para ganhar o dinheiro.

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Worldcoin diz que vai trabalhar com autoridades quenianas

No Twitter, o CEO da Tools For Humanity, empresa-mãe da Worldcoin, Alex Blania, afirmou que a companhia “vai trabalhar com reguladores locais para responder às questões”, e também garantiu que o projeto da empresa foi “desenvolvido para garantir privacidade”.

Ele também afirmou que a Worldcoin não vai interromper a coleta de dados em outras partes do planeta. A empresa diz que mais de 2 milhões de pessoas já se inscreveram no projeto.

O Quênia não foi o único país a questionar o projeto da Worldcoin: França, Alemanha e Reino Unido também estão avaliando o projeto do ponto de vista de segurança e privacidade.

A Worldcoin, por sua vez, garante que a privacidade é fundamental para o projeto, e diz que os dados biométricos são apagados permanentemente após o cadastro ser finalizado.

Via The Verge

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