Ele foi descoberto no mês passado, já muito próximo da Terra (algo extremamente raro) e, a partir desta terça-feira (12), começa a ser visto passando pelo céu – o que pode voltar a acontecer somente daqui a 434 anos. Estamos falando do cometa C/2023 P1 Nishimura, possivelmente o mais brilhante de 2023.

Também chamado simplesmente de cometa Nishimura, o corpo celeste foi oficializado no fim de agosto em uma circular do Minor Planet Center, organização pertencente ao Observatório Astrofísico Smithsonian, nos EUA, após ter sido detectado pela primeira vez no dia 11, pelo astrônomo amador japonês Hideo Nishimura – razão pela qual recebeu esse nome.

Curiosamente, o objeto passou despercebido por grandes observatórios do mundo inteiro, enquanto ia se aproximando da Terra ofuscado pelo brilho do Sol. No entanto, usando apenas uma câmera fotográfica convencional e uma lente teleobjetiva comum, Nishimura (o astrônomo) conseguiu captar Nishimura (o cometa) – de maneira totalmente acidental, em fotos de 15 segundos de exposição.

De acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital, embora tenha parecido inicialmente fraco nas lentes da câmera do descobridor, “seu brilho é excepcionalmente alto para cometas recém-descobertos, que nos grandes telescópios já são observados mesmo quando estão muito distantes e apresentando um brilho muito mais tênue”.

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Resuminho sobre o cometa Nishimura:

  • Nishimura é um pequeno corpo rochoso e gelado, de cauda verde;
  • Essa coloração é resultado de sua composição, que contém mais gás do que poeira;
  • O tamanho exato do objeto é desconhecido, embora se fale em cerca de um quilômetro;
  • Ele foi visto pela primeira vez em 11 de agosto de 2023 pelo astrônomo amador japonês Hideo Nishimura, levando seu nome;
  • A última passagem próxima ao Sol aconteceu há 437 anos, de acordo com o pesquisador Nicolas Biver, do Centro Nacional de Pesquisa Científica do Observatório de Paris, com a próxima prevista para 2457, caso não se desintegre.

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Dicas para observar o cometa Nishimura

Desde sexta-feira (8), o cometa Nishimura está bem próximo da Terra, com magnitude de 4.6, que já permitiria a visualização, desde que atendidas condições extremamente específicas. Já a partir desta terça, ele está com magnitude 4.0 (quanto menor essa taxa, mais brilhante é um objeto), podendo ser visto próximo ao amanhecer de forma discreta.

Na quarta-feira (13), o cometa fará sua maior aproximação da Terra, atingindo uma distância de 0,85 Unidades Astronômicas (UA), o que equivale a 128 milhões de km, com magnitude de 3.8.

Então, no domingo (17), ele atingirá o periélio, que é o ponto mais próximo do Sol, a uma distância de cerca de 0,23 UA – algo em torno de 34,5 milhões de km. Na ocasião, ele pode ser tão brilhante quanto a magnitude 2.8, que é visível a olho nu. 

No entanto, é preciso ser atento e rápido, já que sua proximidade de apenas 12º do Sol vai atrapalhar a observação (por isso, é recomendável procurá-lo pouco antes do amanhecer – de preferência, se estiver com quase nenhuma nuvem no céu). 

Segundo Zurita, o objeto poderá ser visto melhor nos dias que se seguem depois disso. Caso sobreviva à passagem pela nossa estrela hospedeira sem desintegrar, ele poderá ser visto de novo no ano de 2457.

Para saber a posição exata do cometa Nishimura e como observá-lo da sua região, é aconselhável o uso de aplicativos de observação astronômica, como o Star Walk 2 (baixe em App Store, Google Play) ou Sky Tonight (App Store, Google Play, AppGallery).

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