Agora, cirurgias cerebrais complexas vão poder ser treinadas previamente sem qualquer risco para os pacientes. Pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da USP, na Divisão de Neurocirurgia, desenvolveram o primeiro simulador de cirurgia craniana que alia tecnologia de impressão 3D e realidade virtual.

A ideia é que o simulador ajude médicos a praticar, aprender e planejar procedimentos delicados, como a remoção de tumores no cérebro. Inclusive, a criação foi baseada na cirurgia de remoção do schwannoma vestibular, um tumor que, à medida que cresce na base craniana, afeta o equilíbrio e a audição.

Em grande parte dos casos, esse tumor é benigno e não se dissemina para outras regiões do corpo. Mas, devido aos sintomas que provoca e à pressão que pode exercer sobre o cérebro, sua remoção pode se tornar necessária. Devido ao seu tamanho, a cirurgia é bem delicada.

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Simulador une o físico e o virtual

  • Para simular a cirurgia, os pesquisadores uniram um modelo de realidade virtual com uma representação tridimensional realista.
  • O modelo 3D foi criado a partir de resinas, silicone e borrachas com diversas densidades. Os materiais servem para replicar diferentes tipos de tecidos presentes no cérebro.
  • A realidade virtual é usada para complementar detalhes anatômicos que o modelo impresso não consegue – como pele, osso, musculatura, cérebro, dura-máter, seios venosos e artérias.
  • O simulador integra os elementos reais a virtuais por meio de uma câmera de celular ou tablet. Assim, pode simular a cirurgia desde a incisão da pele até a retirada do tumor.
  • Isso permite que os cirurgiões pratiquem os mesmos passos que serão realizados em cirurgias reais.

Ambos os modelos são baseados em radiografias, tomografias e ressonâncias dos pacientes. Apenas a face do boneco é alterada para proteger a identificação.

Assista à simulação da cirurgia:

Vídeo: Reprodução/HCRP

Em entrevista ao Jornal da USP, o professor Ricardo Santos de Oliveira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) explicou que a criação pode substituir cadáveres humanos:

Por uma série de razões, é cada vez mais difícil o treinamento cirúrgico em cadáveres no Brasil. Por isso, o desenvolvimento desses modelos de realidade virtual e ultrarrealistas eliminam essa questão relacionada ao material humano, e eles podem ser adaptados, reutilizados.

Brasil na vanguarda da neurocirurgia

O Brasil é reconhecido internacionalmente por seus avanços relacionados à neurocirurgia. No ano de 2018, por exemplo, o HCFMRP foi o primeiro a ter sucesso numa cirurgia de separação de irmãs siamesas ligadas pela cabeça.

Não é diferente com a nova criação, que também é o primeiro modelo simulador de neurocirurgias da base do crânio posterior já feito. A tendência é que projetos como esse estejam cada vez mais presentes em serviços de treinamento médico, segundo Ricardo de Oliveira.

O Brasil está na vanguarda desse tipo de tecnologia. Algumas empresas privadas aqui estão bastante avançadas no desenvolvimento de tecnologia da realidade aumentada, do modelo híbrido e no treinamento utilizando a tecnologia do metaverso.

O projeto, que tem apoio Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pretende desenvolver laboratórios capazes de fabricar modelos semelhantes ao construído pelos pesquisadores da USP. O objetivo é disponibilizar os simuladores a hospitais públicos, que atendem a maioria de pacientes e possuem a maior parte dos programas de treinamento médico.

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