Morte celular “explosiva” é carregada por milhões de pessoas; entenda

Um estudo descobriu que milhões de pessoas carregam uma variante de um gene chamado MLKL que literalmente explode células
Gabriel Sérvio
Gabriel Sérvio 04/10/2023 16:37, atualizada em 04/10/2023 16:41
Morte celular “explosiva” é carregada por milhões de pessoas
Imagem: labden/Shutterstock

Pesquisadores descobriram que milhões de pessoas no mundo são portadoras de uma variante do gene MLKL que causa morte celular “explosiva” e inflamações.

Continua após a publicidade

O achado pode explicar por que alguns pacientes podem desenvolver doenças inflamatórias persistentes e que só melhoram com tratamentos alternativos, por exemplo.

Leia mais:

O que é a morte celular?

  • A morte celular é basicamente como o nosso corpo se livra de células danificadas ou doentes.
  • Uma das formas de morte celular é a apoptose, um processo regulado e “progamado”.
  • Outra é a necrose, que acontece de forma não controlada e “não programada”.
  • Uma nova forma de morte celular é a necroptose, que, como o nome indica, imita o comportamento das anteriores.

Morte celular explosiva

A necroptose, controlada por um gene chamado MLKL, é a mais agressiva de todas e literalmente explode as células, acionando um alerta no sistema imunológico e liberando moléculas que promovem inflamação.

Um novo estudo liderado por pesquisadores do Instituto Walter e Eliza Hall (WEHI) em Melbourne, Austrália, examinou como a morte celular por necroptoseé afetada quando o gene que a controla é alterado.

Imagem: Reprodução/Instituto Walter e Eliza Hall

Descobertas do estudo

“Quando a necroptose é descontrolada ou excessiva, a resposta inflamatória pode desencadear doenças”, explica Sarah Garnish, autora principal da pesquisa.

Os pesquisadores descobriram que algumas pessoas nascem com polimorfismo – variantes de uma sequência específica de DNA no aminoácido do MLKL (S132P), aumentando a sua capacidade de “exterminar” células.

Para a maioria de nós, o MLKL irá parar quando o corpo pedir para parar, mas 2-3% das pessoas têm uma forma de MLKL que responde menos aos sinais (…) quando se considera a população global, isto equivale a muitos milhões de pessoas portadoras de uma cópia desta variante genética

Sarah Garnish, autora principal da pesquisa

Como foi feita a pesquisa

  • Para examinar os potenciais efeitos causadores de doenças do MLKL modificado, os pesquisadores o introduziram em camundongos.
  • Eles descobriram que ela conferia um efeito de ganho que resultou em defeitos nas células imunológicas e formação disfuncional de células sanguíneas (hematopoiese).
  • Os investigadores também observaram uma redução no número de monócitos inflamatórios (células que contribuem para uma inflamação local e sistêmica).
  • Este foi o caso de camundongos com peritonite induzida (inflamação do peritônio, das membranas da parede abdominal e dos órgãos) e daqueles infectados pela bactéria Salmonella.

Os investigadores dizem que a importância das suas descobertas reside na forma como este tipo de variação genética interage com outros fatores — estilo de vida, histórico de infecções e mais —, para gerar doenças.

Continua após a publicidade

Ainda não marcamos esta variante do gene MLKL para nenhuma doença em particular, mas vemos um potencial real para ela se combinar com outras variantes genéticas e outros sinais ambientais para influenciar a intensidade da nossa resposta inflamatória

Joanne Hildebrand, autora correspondente do estudo

Por fim, também será investigado se a necroptose “descontrolada” pode ser benéfica em algumas circunstâncias. “Estamos analisando as desvantagens de ter essa mudança genética, mas também procuramos as vantagens”, diz o estudo. “Alterações genéticas como esta normalmente não se acumulam na população ao longo do tempo, a menos que haja uma boa razão para isso”.

As informações são do New Atlas. O estudo, por sua vez, foi publicado na revista Nature Communications.

Gabriel Sérvio
Gabriel Sérvio

Gabriel Sérvio é formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário Geraldo Di Biase e faz parte da redação do Olhar Digital desde 2020.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email