A Lua, desde os tempos antigos, inspira humanos, de estudiosos a poetas, a desbravarem seus mistérios. Em histórias e mitologias, ela toma formas diferentes, místicas, enquanto na ciência descobrimos cada vez mais aspectos sobre esse satélite natural, provando que estamos muito longe de conhecer tudo o que há para saber sobre ele.

Uma das informações que foram reveladas através de estudos científicos é de que a Lua está se afastando da Terra em um fenômeno conhecido como “recessão lunar”. Mas o que isso significa para nós?

Leia também:

A Lua está se afastando da Terra? Entenda por que isso ocorre e quais as consequências

Por que a lua se afasta da Terra
Imagem meramente ilustrativa. Créditos: Supamotionstock.com/Shutterstock/Edição: Olhar Digital


Conforme relatado pela BBC News Brasil, foi através de lasers disparados em direção a refletores, instalados sobre a superfície da Lua por astronautas da missão Apolo que foi possível medir com precisão em que velocidade exata a Lua se afasta da Terra. Foi confirmado que ela se afasta 3,8 centímetros por ano, e, como consequência, os dias ficam mais longos com o tempo.

publicidade

Por exemplo, hoje em dia, a Lua fica em média a 384.400 mil quilômetros do nosso planeta, onde os dias duram quase 24 horas ao todo, mas há 620 milhões de anos atrás, um dia na Terra durava apenas 21 horas.
Entretanto, essa recessão lunar não é constante, tendo aumentado e diminuído ao longo do tempo, e provavelmente vai continuar a se alterar também nos próximos milhões de anos à frente.

Como isso acontece?

O lado da Terra voltado para a Lua é puxado pela gravidade lunar no que os cientistas chamam de “Tidal Bulge”, ou Protuberância da Maré, no português literal, criando um “relevo” de água oceânica que é atraída em direção ao satélite lunar no lado do nosso planeta que está de frente para ele.

A formação da protuberância das marés sendo puxada pela gravidade da Lua Imagem: Reprodução / NASA


Como a Terra gira em seu eixo mais rápido que a Lua a orbita, a maior gravidade desse relevo de água tenta acelerar a rotação da Lua, enquanto a Lua atrai a Terra e retarda a rotação do planeta. Com esse atrito, esse “cabo de guerra” força o satélite a uma órbita mais ampla.

A força desse efeito causado pela gravidade das marés varia muito dependendo da configuração dos continentes e dos oceanos, e até mesmo da estrutura interna da Terra. Para uma previsão mais precisa, os cientistas analisam a taxa média de mudança inferida na órbita da Lua ao longo dos últimos quatro bilhões de anos.

O que acontece se a Lua se afasta da Terra?

Mesmo com essa recessão lunar, é seguro dizer que a Lua não vai deixar completamente a Terra. Os cientistas não previram nenhum cenário onde o satélite lunar abandona nosso planeta, e mesmo que exista algum indício de que isso irá acontecer, a Terra já terá sido engolida pelo sol antes disso, e a humanidade já terá desaparecido até lá.

Na teoria, daqui a cerca de 50 bilhões de anos, a Lua atingirá seu tamanho máximo, e a órbita lunar que hoje dura um mês, levará 47 dias, a mesma quantidade de tempo em que a Terra demorará para completar sua rotação. Isso significa que a Lua e o planeta Terra ficarão sempre de frente um para o outro. Com todo o sistema sincronizado, a Terra e a Lua não terão mais quaisquer efeitos de maré uma sobre a outra e a Lua, teoricamente, deixará de se afastar.

No entanto, as marés não serão totalmente extintas já que o sol também influencia nas marés, mesmo que em menor escala em relação à Lua, mas essa influência retardará a rotação do planeta e os papéis serão invertidos. Será a Terra que irá se aproximar cada vez mais da Lua, e depois de centenas de bilhões de anos, o satélite lunar ficará tão próximo que será destruído pela gravidade da Terra.

Mas bem antes disso, daqui a cerca de 5 bilhões de anos, é previsto que o Sol irá aumentar absurdamente de tamanho e irá engolir a Terra, a Lua, e mais o que estiver ao alcance.

Fonte: BBC News | NASA | Forbes | National Ocean Service