Os materiais apreendidos pela Polícia Federal na operação que investiga o uso de um software espião para monitorar ilegalmente jornalistas e adversários políticos durante o governo Jair Bolsonaro (PL) revelaram um novo esquema clandestino de espionagem dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). As autoridades encontraram outros dispositivos invasivos, que estavam sendo utilizados para invasão em massa de computadores.

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Invasão de todo o conteúdo do computador

  • A ferramenta utiliza um malware para acessar todo o conteúdo dos computadores.
  • A invasão pode ocorrer via disparo de um e-mail, por uma mensagem de texto ou por WhatsApp web, por exemplo, além do acesso físico ao computador, caso de pen drive.
  • A vítima não sabe que a invasão ocorreu e imediatamente todo conteúdo do computador passa a ser acessado pelos espiões.
  • As informações são do G1.
Espionagem (Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)

PF quer saber como funcionava o novo esquema na Abin

Agora, a Polícia Federal quer saber quantos computadores foram infectados e espionados por essa nova ferramenta. E quem foram os alvos. As informações referentes ao inquérito seguem sob sigilo para não atrapalhar as investigações sobre os sistemas ilegais de espionagem feitos por servidores e ex-servidores da Abin.

Na semana passada, a PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Goiás e no Distrito Federal. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Paulo Maurício Fortunato Pinto, número 3 da Abin, e de outros quatro servidores.

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A suspeita é que a agência usou um programa espião para monitorar ilegalmente celulares de jornalistas, políticos e adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro. No total, teriam sido feitos 33 mil “consultas” com o software, que permite acesso a dados de geolocalização, mas não o conteúdo dos aparelhos. Ou seja, não possibilitaria que ligações ou conversas fossem grampeadas.

Em 11 de abril, a Abin enviou ao STF e à PF uma planilha contendo a lista de números de telefones monitorados pelo órgão durante o governo Bolsonaro. E também um documento com o nome de 35 servidores que tiveram acesso à ferramenta FirstMile.