A quinta avaliação climática dos Estados Unidos mostrou como as mudanças ambientais estão afetando a economia do país. O documento revelou um aumento dramático nos custos e mostrou que os grupos mais vulneráveis são os que mais sentem esse impacto.

O relatório, produzido a cada quatro anos, incluiu pela primeira vez um recorte focado nas desigualdades sociais. Confira a avaliação em inglês aqui.

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Mudanças climáticas: quanto custa aos Estados Unidos?

  • Temperaturas globais aumentaram mais rápido em meio século do que em 2.000 anos. No ano de 2021, 1.400 pessoas morreram devido a ondas de calor intensas no noroeste do Pacífico.
  • No oeste dos Estados Unidos, a seca se tornou mais severa. Desde 1980, a seca e as ondas de calor custaram mais de US$ 320 bilhões.
  • Na década de 1980, o país era atingindo por um desastre de bilhões de dólares a cada quatro meses, em média. Agora, existe um novo a cada três semanas.
  • Segundo o relatório, os desastres climáticos mais intensos custam aos Estados Unidos US$ 150 bilhões todos os anos. Isso sem considerar “perda de vidas, custos com cuidados de saúde ou os danos aos serviços ecossistêmicos”, diz o documento.
  • Na região Centro-Oeste, pragas, doenças e oscilações entre tempo úmido e seco impactam a colheita de milho e maçã.
  • Além disso, a população precisa gastar mais com comida e bens básicos devido aos impactos climáticos que se refletem no preço.

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Grupos vulneráreis

Os grupos mais marginalizados socialmente são os que mais sentem os impactos das mudanças climáticas. A avaliação informa que as alterações agravaram 18 grandes desastres pesqueiros no Alasca. Isso afetou especialmente a vida de povos indígenas costeiros, pescadores e comunidades rurais.

Negócios geridos por mulheres, pessoas não brancas — negros, latinos, asiáticos e indígenas, por exemplo, — e veteranos de gerra têm menos chance de reabrirem após desastres ambientais do que empresas no geral, de acordo com o relatório.

É preciso agir mais rápido

Os riscos ambientais aumentam conforme os EUA, o maior produtor global de petróleo e gás, e outros países continuam usando combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial, o globo aqueceu mais de 1ºC. Se continuar nesse ritmo e aumentar 2ºC, o impacto econômico será mais que dobrado, diz o relatório.

O documento destaca ainda que os EUA não estão agindo rápido o suficiente. A parte da poluição do país, que está provocando aquecimento global, diminuiu apenas 1% ao ano desde 2005, mas deveria ser mais de 6% ao ano para atender às metas do acordo climático de Paris.