A camada de ozônio protege a Terra contra a radiação ultravioleta do Sol. No entanto, em cima da Antártica existe um enorme buraco que nas últimas décadas a humanidade vem tentando fechar. Agora, um novo estudo aponta que talvez os esforços realizados para recuperarmos essa proteção podem não ser suficientes.

A nova pesquisa foi publicada recentemente na revista Nature Communications e analisou os índices de ozônio presentes na estratosfera nos últimos anos. A partir desses dados, os pesquisadores apontaram que apesar da proibição do uso clorofluorcarbonos (CFCs), principal destruidor da camada de ozônio, no Protocolo de Montreal de 1987, ainda não houve uma redução significativa no buraco sobre a Antártica.

Para quem tem pressa:

  • Acredita-se que o buraco na camada de ozônio seja causado pela emissão de CFCs;
  • Uma validação da ONU indicou que a proibição dos poluentes parecia estar recuperando os índices de ozônio;
  • Um novo estudo, no entanto, apontou que os CFCs podem não ser os únicos responsáveis.

O buraco na camada de ozônio

Em meados da década de 1970, cientistas descobriram que os CFCs, usados em aerossóis e frigoríficos, reduzem os níveis de ozônio na estratosfera, criando um buraco na camada, anualmente, entre os meses de setembro e novembro.

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Uma avaliação realizada pela ONU em janeiro, apontou que o Protocolo de Montreal parecia estar funcionando, e que por volta de 2066 os níveis da camada de ozônio acima da Antárctica deveriam ser restaurados pata os padrões de 1980.

Em resposta à AFP, no entanto, a coautora do estudo, Annika Seppala, apontou que não é isso que está acontecendo. Isso porque, apesar da proibição dos CFC estar nos colocando no caminho certo, não são só eles que estão causando o buraco na camada de ozônio.

Seis dos últimos nove anos tiveram quantidades realmente baixas de ozônio e buracos de ozônio extremamente grandes. O que pode estar a acontecer é que algo mais está a acontecer na atmosfera agora — possivelmente devido às alterações climáticas — e isso está a mascarar parte da recuperação.

Annika Seppala

A pesquisa aponta que o buraco na camada de ozônio tem começado a se abrir no final de setembro, sugerindo que as medidas adotadas internacionalmente podem estar funcionando. Mas em outubro, quando frequentemente o buraco é maior, elas parecem não surtir efeito. Na análise, percebeu-se que o nível do gás protetor nesse período diminuiu cerca de 26% entre 2004 e 2022.

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Anos atípicos

A pesquisa não considerou em sua análise os anos de 2002 e 2019 porque aconteceram “rupções repentinas do vórtice polar”. De acordo com a autora principal do estudo, Hannah Kessenich, esses eventos fazem com que o buraco na camada de ozônio seja significativamente menor.

No entanto, a cientista de ozônio, Susan Solomon, que não esteve envolvida no estudo, aponta que existem outros anos bastante incomuns e que afetaram os níveis de ozônio estratosférico. Em 2020, por exemplo, o buraco foi 10% maior devido incêndios florestais do “Sábado Negro” na Austrália, e em 2022, acredita-se que a erupção do Hunga-Tonga-Hunga-Ha’apai também aletrou os níveis de ozônio.