Durante um período os neandertais conviveram com os humanos modernos, alguns estudos indicam que eles podem ter chegado até mesmo a produzir descendentes entre eles. Mas será que esses hominídeos extintos conseguiam entender e reproduzir a fala dos humanos?

Para quem tem pressa:

  • Primeiro foram produzidos modelos 3D de crânios de neandertais, que foram processados por meio de um software desenvolvido por bioengenharia auditiva;
  • Descobriu-se que esse hominídeos extintos tinham capacidades auditivas semelhantes ao dos Homo sapiens;
  • Além disso, também descobriu-se que eles poderiam reproduzir uma variedade de sinais acústicos muito semelhantes.

Capacidades auditivas

Um estudo publicado em 2021, que contou com uma equipe multidisciplinar internacional, aponta que sim. Os pesquisadores fizeram reconstrução do crânio desses hominídeos extintos e investigaram a evolução da linguagem e das capacidades linguísticas dos neandertais, sendo a primeira pesquisa a utilizar evidências fósseis para estudar a evolução da fala.

A equipe primeiro realizou tomografias computadorizadas para criar modelos virtuais 3Ds de alta resolução das estruturas auditivas de fósseis de humanos modernos e neandertais, assim como de espécies anteriores, encontrados em Atapuerca, na Espanha.

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Os modelos 3D foram processados através de um modelo baseado em um software, desenvolvido por bioengenharia auditiva, permitindo estimar as capacidades auditivas dos neandertais, algo entre 4-5 KHz, muito semelhante ao dos humanos modernos, que é de cerca de 5 KHz.

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Capacidade de fala dos neandertais

Além disso, também foi possível estabelecer a “largura de banda ocupada” dos neandertais, que está associado ao sistema de comunicação que um animal pode usar. Quanto mais larga, maior o número de sinais acústicos usados ​​no sistema de comunicação oral de uma espécie, e as análises mostraram que os neandertais possuíam que essa largura de banda é muito semelhante ao dos Homo sapiens.

A presença de capacidades auditivas semelhantes, particularmente a largura de banda, demonstra que os Neandertais possuíam um sistema de comunicação tão complexo e eficiente como a fala humana moderna.

Mercedes Conde-Valverde, principal autora do estudo, em comunicado

Outra descoberta do estudo é que a fala dos neandertais incluía provavelmente o aumento no uso de consoantes. Pesquisas anteriores apontavam a utilização de vogais semelhantes aos humanos modernos por esses hominídeos extintos, no entanto, o uso de consoantes permite uma maior variedade dos sinais vocais, separando-os de outros primatas.

Essa descoberta sobre os neandertais acaba coincidindo com outras pesquisas arqueológicas que mostram o quão complexos esses hominídeos poderiam ser, incluindo padrões comportamentais, mudanças tecnológicas e até mesmo algumas práticas simbólicas.