A NASA definiu uma nova data provisória para o lançamento da sonda Dragonfly para Titã, a maior lua de Saturno. A missão da “libélula robótica” estava prevista para ser lançada em 2027. No entanto, os planos foram adiados em um ano, ficando, por enquanto, para julho de 2028.

A espaçonave tem sido construída pelo Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins (APL) da agência, em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, e irá investigar Titã a partir de câmeras e sensores, além de coletar amostras. O objetivo é determinar a composição e a geologia da superfície da lua e avaliar sua habitabilidade.

Ilustração artística 3D mostra o conceito do drone robótico Dragonfly, projetado pela NASA para estudar a lua Titã, de Saturno. Imagem: NASA/JHU-APL

Para quem tem pressa:

  • A missão Dragonfly consiste em um helicóptero movido a energia nuclear com quatro pares de pás duplas, com cerca de um metro de diâmetro cada, e pesando cerca de 450 kg;
  • O drone irá voar numa velocidade média de 36 km/h, realizando periodicamente voos distantes do seu local de pouso, conseguindo voar vários quilômetros entre diferentes pontos de interesse;
  • Um instrumento chamado Broca para Aquisição de Organismos Complexos (DrACO), presente no equipamento, vai coletar pequenas amostras da superfície da lua Titã;
  • As amostras serão analisadas por outro instrumento, o Espectrômetro de Massa Dragonfly (DraMS), responsável por identificar a composição química delas.

O motivo do adiamento foi anunciado pela diretora da divisão de ciência planetária da NASA, Lori Glaze, durante a reunião do Grupo de Avaliação de Planetas Externos (OPAG, na sigla em inglês). Segundo ela, a confirmação formal da missão, o custo oficial e a data foram reavaliados devido às incertezas de quanto orçamento estaria disponível para o projeto nos próximos dois anos.

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Devido a essas incertezas incrivelmente grandes no financiamento e nos orçamentos dos exercícios financeiros de 2024 e de 2025, foi tomada a decisão de adiar a confirmação oficial da Dragonfly.

Lori Glaze, diretora da divisão de ciência planetária da NASA

A expectativa dos pesquisadores é que a NASA avalie oficialmente a data de preparação para o lançamento da missão em meados de 2024, provavelmente entrando na proposta de orçamento da agência no ano financeiro de 2025.

Até lá, alguns elementos do projeto e produção final do equipamento serão atrasados, enquanto outros prosseguem.

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Maior lua de Saturno pode conter pistas sobre o início da vida na Terra  

A investigação da lua Titã é considerada alta prioridade pelos cientistas. Ela tem uma atmosfera cerca de quatro vezes mais densa que a da Terra, e em sua superfície correm rios e mares formados por hidrocarbonetos líquidos provenientes de chuvas de metano, em vez de água – que também se acredita existir por lá em oceanos subterrâneos. 

Representação artística da lua Titã orbitando Saturno. Crédito: buradaki/Tristan3D – Shutterstock. Edição: Olhar Digital

Além disso, sua atmosfera é rica em nitrogênio e apresenta um ciclo de hidrogênio parecido com o da Terra, isto, junto com a potencial presença de materiais orgânicos complexos congelados na superfície gelada daquela lua, que é um dos mais de 140 satélites naturais de Saturno. Essas características fazem desse objeto um bom alvo para se investigar, motivo pelo qual receberá a libélula robótica, que poderá encontrar pistas sobre o início da vida na Terra.

Se tudo corresse de acordo com o plano inicial, a missão Dragonfly (libélula, em inglês) chegaria em Titã em 2034, pousando no campo de dunas de Shangri-lá, perto da Cratera Selk, local descrito pelos pesquisadores como “área cientificamente notável” digna de exploração. Agora, a data desse pouso ainda é desconhecida, a depender da definição do lançamento.