Observadores de auroras no norte do globo que se prepararam para um verdadeiro espetáculo de luzes anunciado para segunda-feira (4) provavelmente se sentiram frustrados. Um fluxo de vento solar que estava a caminho da Terra proveniente de um buraco gigante que se abriu no Sol, prometendo tempestades geomagnéticas moderadas nas altas latitudes do planeta, chegou mais fraco do que se previa.

Buraco coronal fotografado por sonda da NASA no sábado (2). Crédito: SDO/AIA

Vamos entender:

  • Um enorme buraco se abriu na atmosfera do Sol, liberando uma corrente de vento solar em direção à Terra;
  • O Observatório de Dinâmicas Solares (SDO), da NASA, fotografou a fenda, que se estende por quase 800 mil km ao longo de seu longo eixo;
  • Trata-se de um buraco coronal – uma região da atmosfera solar onde os campos magnéticos se abriram, permitindo que o vento solar escape;
  • O buraco parece escuro porque o gás quente brilhante normalmente contido na subsuperfície está faltando;
  • O vento solar atingiu a Terra na segunda-feira (4);
  • Embora seja um material leve, ao se juntar com um jato de plasma originário de uma erupção ocorrida no domingo (3), poderia provocar tempestades geomagnéticas de classe G1 (fraca) a G2 (moderada) – em uma escala que vai de G1 a G5;
  • Até o momento, foram observados apenas eventos mais suaves;
  • Mais impactos são esperados para esta terça-feira (5).
Aurora boreal sobre a ilha de Rebbenesøya na Noruega, nesta terça-feira (5)

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Outras consequências além de auroras

Segundo a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) rebaixou o atual alerta de tempestade geomagnética de G2 (moderado) para G1 (fraco). 

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Além da formação de auroras nas mais extremas latitudes da Terra (austrais, quando vistas no polo sul, e boreais, quando no polo norte), tempestades geomagnéticas de classes G1 e G2 podem provocar:

  • Sistema elétrico: tempestades de longa duração podem danificar transformadores;
  • Operação de satélites: podem ser requeridas ações corretivas da orientação pelos controles de solo, e possíveis mudanças no arrasto podem afetar a previsão das órbitas;
  • Outros sistemas: propagação em rádio HF pode enfraquecer em locais nas mais altas latitudes.