Finalizando o breve período de comemoração, a Microsoft e Activision podem voltar a ter problemas em seu acordo de fusão, o maior já registrado na indústria de jogos. Segundo a Reuters, a Comissão Federal de Comércio (FTC), regulador antitruste dos EUA, irá apelar (novamente) contra o negócio de US$ 69 bilhões, que foi oficializado em outubro após sinal verde de autoridades britânicas. 

O que aconteceu: 

  • A compra da Activision pela Microsoft foi originalmente proposta em janeiro de 2022; 
  • Desde então, o acordo enfrentou diversos escrutínios e investigações antitruste, principalmente na Europa, devido ao negócio oferecer riscos a lei de concorrência; 
  • A FTC, dos EUA, também foi uma crítica assídua contra o acordo, tentando em dezembro de 2022 bloquear a aquisição no país — a tentativa foi frustrada no tribunal em julho
  • O maior obstáculo para o negócio, no entanto, era a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA). Mas, após diversas alterações em contrato, o regulador aprovou a compra;  
  • A nova reação da FTC, contudo, já era esperada, visto que a reguladora perdeu a batalha no tribunal de primeira instância. Agora, ela irá recorrer novamente. 

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Para a FTC, a juíza federal que derrubou seu bloqueio em julho e concluiu que a compra da Activision Blizzard pela Microsoft era legal sob lei de concorrência entendeu o processo errado. Assim, o órgão está entrando com uma nova apelação no tribunal da Califórnia. 

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Batalha legal será ainda mais difícil para a FTC

Segundo autoridades, com o acordo entre as empresas já autorizado, a Comissão precisará então provar perante um painel de três juízes que o acordo é anticompetitivo, e não apenas levantar sérias preocupações concorrenciais — como ocorre de costume. A FTC também terá que argumentar de que forma o juiz anterior errou ao confiar nas condições propostas pela Microsoft para não prejudicar a concorrência — a distribuição de jogos para rivais é um dos pontos. 

A batalha legal, que agora é mais difícil devido à aprovação no Reino Unido, faz parte de um amplo esforço do governo de Joe Biden para combater fusões e aumentos de preços que afetam os consumidores em áreas que vão desde medicamentos a passagens aéreas.  

Embora a Microsoft ainda não tenha se pronunciado, espera-se que ela argumente que a FTC não conseguiu demonstrar que a juíza errou na sua decisão. A big tech deve ainda reforçar que não há interesse mercadológico em reter “Call of Duty”, um dos jogos mais famosos e rentáveis da Activision e ponto crucial do debate, além dos games em nuvem.