Durante a Segunda Guerra Mundial, no âmbito do Projeto Manhattan, cientistas dos Estados Unidos embarcaram na missão de desenvolver armas nucleares e, com isso, se depararam com a necessidade urgente de entender os efeitos dos materiais radioativos em seres humanos. Iniciaram, portanto, os chamados “Experimentos de Injeção de Plutônio em Humanos”.

O pintor Albert Stevens, conhecido pelo codinome “Paciente CAL-1” (em razão de ser o primeiro indivíduo da Califórnia envolvido nesses trabalhos), foi uma das pessoas que tiveram o corpo “como cobaia”, em 1945. Acontece que, até hoje, não há provas sugerindo que Stevens alguma vez tenha sido informado sobre o que estavam injetando nele. Ao que tudo indica, o homem nem tinha dado consentimento para ser exposto a materiais nucleares.

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Uma das maiores doses radioativas na história em humanos

Os experimentos buscavam desvendar o impacto dos isótopos radioativos no corpo, oferecendo insights fundamentais para a criação da bomba “Fat Man”, que eventualmente devastaria Nagasaki em 6 agosto de 1945. Enquanto inicialmente focados em animais, a necessidade de dados mais relevantes levou os cientistas a experimentar os impactos nucleares em humanos, selecionando indivíduos com expectativas de vida presumidamente curtas (como pacientes de doenças terminais).

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O caso de Stevens merece alguns destaques: ele recebeu uma dose exorbitante de plutônio-238 (276 vezes mais radioativo que o plutônio-239, que também foi incluído no coquetel de injeção aplicado no homem); Stevens também acabou sobrevivendo bem além das expectativas, sem conhecimento dos reais perigos a que foi submetido.

Má sorte

Tudo ainda aconteceu a partir de um detalhe infeliz. O homem acabou parando nas mãos da divisão especial do Projeto Manhattan por engano. Não foi uma doença terminal, mas uma condição benigna mal diagnosticada que levou Stevens ao experimento. O que se pensava ser uma úlcera estomacal cancerosa revelou ser uma úlcera gástrica benigna com inflamação crônica.

Como passava por problemas financeiros, o pintor acabou aproveitando a “oportunidade” de receber um dinheiro em troca de amostras de suas fezes e urina (como se as coletas fizessem parte comum do tratamento da doença que Stevens pensava ter). Aliás, o homem nunca soube que, na verdade, não era um paciente de câncer.

As repercussões desses experimentos nucleares em humanos foram profundas e duradouras, tanto para os indivíduos diretamente envolvidos quanto para seus familiares, que continuaram a buscar justiça e esclarecimentos anos após tudo ter sido revelado ao público. Quanto a Stevens, ele só acabou falecendo 21 anos após o coquetel ser injetado nele, por causa de algo totalmente desvinculado do material radioativo.

Via IFLScience