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Os ossos são uma parte do corpo com grande capacidade regenerativa que exigem cuidados considerados simples. A utilização de gesso por um determinado período é suficiente para curar um osso quebrado, por exemplo. No entanto, danos mais graves precisam de tratamentos mais complexos, como um transplante de tecido, chamado de enxerto.
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Um grupo de cientistas do Bone Research Lab, ligado à Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP), está investigando como as células-tronco podem auxiliar em casos como esses.
O estudo também conta com a participação de pesquisadores do Departamento de Bioquímica da Universidade de Vermont e recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Células-tronco modificadas
- Inicialmente, os cientistas testaram células-tronco mesenquimais, as mais comumente estudadas, em animais. No entanto, essas não apresentaram resultados satisfatórios.
- A equipe então alterou o DNA das células-tronco, fazendo com que passassem a expressar diferentes proteínas, incluindo a BMP-9, que atua na formação óssea.
- Quando injetadas em ossos do crânio fraturados de ratos, as células modificadas melhoraram o processo de regeneração.
- Em comparação com as células que não produziam BMP-9, as que tinham essa proteína, mostraram maior eficácia na reparação dos ossos.
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Substituição de enxertos
Os pesquisadores acreditam que a terapia com células-tronco pode substituir o uso de enxertos em casos mais graves de traumas. Adalberto Luiz Rosa, professor e chefe do Departamento de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial e Periodontia da FORP-USP, explicou que essa é a meta do estudo:
Nosso objetivo central é investigar células-tronco como ferramenta em terapias para promover a regeneração óssea em substituição aos enxertos, que podem gerar problemas como dor e inflamação, e até a não integração com o osso do paciente, ou seja, a rejeição do enxerto.
Adalberto Luiz Rosa para a FAPESP
A descoberta relacionada ao BMP-9, que parece ser a principal responsável pelo sucesso dos testes até então, abre caminhos para a criação de novas terapias para regeneração óssea, especialmente nos casos em que tratamentos convencionais não são suficientes ou pouco efetivos.
Futuro da pesquisa
Para que a pesquisa avance para testes com pacientes, ainda são necessárias mais investigações. Segundo Rosa, é essencial aprimorar todo o processo para alcançar uma regeneração óssea completa. Um dos caminhos que o estudo deve seguir é investigar a possibilidade de isolar componentes específicos que apresentam um maior potencial osteogênico e que poderiam ser utilizados no tratamento de fraturas ósseas.
Detalhes do estudo inicial foram publicados no Journal of Cellular Physiology e Gene Therapy.