Um artigo publicado na última quinta-feira (18) na revista Scientific Reports descreve a dieta de adolescentes que viviam há cerca de 10 mil anos onde hoje é a Suécia. As descobertas foram possíveis graças a análises feitas em “chicletes” mastigados daquela época.

Vamos entender:

  • Os antigos humanos mastigavam a resina obtida da queima da casca de uma árvore chamada bétula, assim como hoje em dia nós mascamos chicletes;
  • Estudos deduzem, por sua presença nas juntas de armas e ferramentas, que essa goma era usada como cola;
  • Vários desses chicletes pré-históricos mastigados são encontrados como pedras negras na Europa;
  • É possível que a mastigação servisse para amolecer o material, também chamado de alcatrão de bétula;
  • Análises recentes de um desses achados, datado de 10 mil anos, aproximadamente, descobriram pistas sobre os hábitos alimentares dos mastigadores;
  • Segundo o estudo, eles haviam comido veados, trutas e nozes, processado peles de lobo e raposa com os dentes e sofrido de doenças gengivais.
A resina de bétula era usada como cola para ferramentas, por exemplo. Imagina-se que o material era mastigado para amolecer e facilitar o uso. Crédito: Paulo R. B. Kozowyk

As análises foram feitas em três pedaços de resina de bétula mastigada originalmente descobertos na década de 1990 em um local chamado Huseby Klev. Com base na idade do sedimento em que as amostras foram encontradas, os pesquisadores estimam que elas tenham entre 9.540 e 9.890 anos.

Análise do DNA dos chicletes pré-históricos

Para confirmar que os objetos enrugados tinham realmente sido mastigados por humanos, os autores do estudo compararam as sequências de DNA microbiano presentes na resina com microbiomas salivares modernos e antigos. 

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Dessa forma, eles detectaram altos níveis de bactérias associadas à periodontite (doença gengival). Outras espécies bacterianas – indicadoras de cárie dentária – também foram encontradas em abundância nos chicletes antigos.

Em um comunicado, a autora do estudo, Emrah Kırdök, pesquisadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Mersin, na Turquia, explicou que “há uma riqueza de sequências de DNA no chiclete mastigado de Huseby Klev, e nele encontramos tanto as bactérias que sabemos que estão relacionadas à periodontite, quanto o DNA de plantas e animais que eles mastigaram antes”.

Foram identificados sinais de alimentos como avelãs, maçãs, trutas marrons, veados vermelhos e lapas. Espécies de aves como o pato-real, o pato-rabo-de-burro e o tordo-europeu também foram detectadas, indicando que os escandinavos da Idade da Pedra podem ter usado seus dentes para processar os ossos dessas criaturas em ferramentas, além de comê-los.

Os pesquisadores também identificaram o DNA de vários canídeos, como a raposa vermelha, a raposa ártica e o lobo, animais que provavelmente foram caçados por causa de suas peles, e as pessoas podem ter usado os dentes em algum momento na preparação dessas couraças.