Nesta terça-feira (23), por volta da meia-noite e meia (pelo horário de Brasília), duas manchas solares separadas por 500 mil km entraram em erupção simultaneamente. O Observatório de Dinâmicas Solares (SDO) da NASA registrou a explosão dupla em ultravioleta.

No vídeo, é possível ver cada uma das manchas solares AR3559 e AR3561 em hemisférios opostos (norte e sul), arrebentando ao mesmo tempo. A intensidade combinada das duas erupções solares atingiu a categoria M5.1.

O Observatório de Dinâmicas Solares (SDO) da NASA captou em ultravioleta as duas manchas solares que explodiram ao mesmo tempo e em igual intensidade na madrugada desta terça-feira (23). Créditos: AIA/SDO/NASA.

Vamos entender:

  • O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade solar;
  • Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
  • Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
  • No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas em sua superfície, que representam concentrações de energia;
  • À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem “estalar” e gerar rajadas de vento;
  • De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam partículas carregadas de radiação para fora da estrela em jatos de plasma (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME);
  • Os clarões (sinalizadores) são classificados em um sistema de letras pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
  • A classe M, no caso, denota os clarões de média intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
  • Um M2 é duas vezes mais intenso que um M1, um M3 é três vezes mais intenso, e, assim, sucessivamente.

Quando ocorrem duas explosões solares de mesma intensidade ao mesmo tempo, isso é chamado de “explosão solar simpática”. Essa simultaneidade não é por acaso, mas por causa de alguma conexão física. Uma análise estatística dessas explosões em 2002 provou que elas são reais e ligadas por laços magnéticos na coroa solar. Um estudo ainda maior de 40 anos de surtos simpáticos descobriu que os pares podem ser separados por mais de 90° de latitude.

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De acordo com a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, o surto desta madrugada causou um apagão de rádio de ondas curtas sobre a Austrália e a Indonésia. Operadores de rádio e marinheiros podem ter notado uma perda de sinal em frequências abaixo de 30 MHz por até 30 minutos após o pico da explosão dupla.

Tempestades geomagnéticas são esperadas para esta semana

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, um jato de plasma disparado por um filamento magnético do Sol deve atingir a Terra nesta terça-feira (23), causando uma tempestade geomagnética de classe G2 – considerada moderada em uma escala que vai de G1 a G5. Os efeitos esperados de eventos deste tipo não representam qualquer ameaça.

Logo em seguida, mais um jato chegará na quinta-feira (25), disparado por outro filamento magnético, com chances de provocar tempestades geomagnéticas de classe G2 e G3 (nível considerado forte).

Caso isso se concretize, as possíveis consequências são:

  • Sistema elétrico: correções de voltagens podem ser necessárias;
  • Operação de satélites: pode ocorrer sobrecarga estática nos componentes de superfície e aumento do arrasto sobre os equipamentos de baixa órbita, podendo se fazer necessárias correções para os problemas de orientação;
  • Outros sistemas: podem ocorrer problemas intermitentes nas comunicações por satélite e navegação em baixa‐frequência, e a comunicação via rádio HF pode ficar intermitente;
  • Auroras: formação de auroras muito mais distante dos polos do que normalmente se vê.