Os tubarões-brancos (Carcharodon carcharias) são uma das espécies mais fascinantes do mar. Trata-se do maior predador dos oceanos. Ágil, voraz, feroz. E um astro do cinema. O clássico “Jaws” (“Tubarão”), de Steven Spielberg, de 1975, transformou esse animal em um ícone pop.

Mesmo com tantas informações sobre ele, acredite, a ciência e a Biologia nunca tinham presenciado, até hoje, um filhote recém-nascido da espécie na natureza.

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O registro histórico foi feito em 9 de julho de 2023, mas publicado apenas na última segunda-feira (29) na revista Environmental Biology of Fishes.

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Os autores das imagens são Carlos Gauna, produtor de vídeos de vida selvagem, e Phillip Sternes, estudante de doutorado em Biologia da Universidade da Califórnia, em Riverside.

Eles estavam gravando perto de Santa Bárbara, na costa central da Califórnia, nos Estados Unidos, quando avistaram um tubarão-branco um pouco diferente.

A espécie é tipicamente cinza na parte superior com uma barriga branca mais clara. O tubarão avistado pela dupla era totalmente branco e muito menor – tinha cerca de 1 metro e meio apenas.

Registro inédito

  • É possível observar o filhote a partir dos 7 minutos e 30 segundos.
  • Gauna havia captado imagens de várias fêmeas grávidas dias antes, por esse motivo a dupla tem convicção de que se trata de um recém-nascido.
  • Muitos biólogos já consideram a descoberta como algo certo – tanto que um artigo científico revisado por colegas já foi até publicado.
  • Outros, porém, pregam cautela, uma vez que animal filmado pode ser um tubarão jovem e albino.
  • Phillip Sternes, no entanto, garante não ter dúvida nenhuma:

“Ampliamos as imagens, colocamos em câmera lenta e percebemos que uma camada branca estava se soltando do corpo enquanto ele nadava. Acredito que era um filhote de tubarão-branco recém-nascido que estava se livrando de sua camada embrionária.”

Novos estudos devem confirmar que se trata mesmo de um filhote recém-nascido. E a dupla seguirá acompanhando os hábitos da espécie.

Se você ficou curioso, aliás, Carlos Gauna tem um perfil no Instagram chamado @themalibuartist, no qual o cineasta compartilha vários vídeos de tubarões.

Espécie em extinção

A descoberta pode ser ainda mais importante porque pode ajudar na conservação da espécie. Apesar de ser o maior predador do mar, o tubarão-branco está vulnerável à extinção. A pesca exploratória colocou o animal na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), em 2018.

A mandíbula e os dentes desses animais são valorizados no mercado. Alguns criminosos também vendem as nadadeiras, a carne e o óleo do tubarão-branco, mesmo com a proibição da pesca em vários países.

Em se confirmando se tratar de um filhote, as autoridades americanas poderão traçar aquela região de Santa Barbara como um local de conservação de vida selvagem.

Será importante também alertar os banhistas, uma vez que os tubarões foram avistados a 300 metros da costa apenas. Não que eles vão atacar seres humanos. Isso só acontecia no filme do Spielberg mesmo.

É importante destacar que tubarões não se alimentam de carne humana. Os motivos para ataques que já ocorreram são variados:

  • desequilíbrio ambiental;
  • defesa do território;
  • ou até mesmo confusão (quando a água está turva, os tubarões podem morder ao confundir o ser humano com uma presa).

As informações são do Science Alert.