Um time internacional de astrônomos acaba de descobrir um sistema estelar diferenciado, contendo seis exoplanetas confirmados – e um candidato a sétimo. Liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia-Irvine (UCI), nos EUA, essa descoberta está ajudando os cientistas a entenderem mais sobre como os planetas se formam e evoluem.

A equipe usou observatórios e instrumentos em todo o mundo para coletar dados precisos sobre esses exoplanetas, e os resultados foram publicados segunda-feira (29) em um artigo no periódico científico The Astronomical Journal.

No centro desse sistema solar recém-descoberto na Via Láctea está TOI-1136, uma estrela anã localizada a mais de 270 anos-luz da Terra. Os pesquisadores estudam esse sistema desde 2019, quando usaram o TESS (sigla em inglês para “Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito”), o caçador de exoplanetas da NASA, para fazer a primeira estimativa das massas dos possíveis mundos.

Por que o sistema TOI-1136 é único

No estudo mais recente, a equipe examinou variações no movimento estelar através do efeito Doppler, o que permitiu obter leituras de massa planetária precisas. O efeito Doppler consiste em mudanças mínimas no comprimento de onda ao longo do tempo, que, como a mudança de tom de uma da sirene de uma ambulância que se aproxima ou se afasta, indicam movimento.

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Os cientistas construíram modelos computacionais usando centenas de medições para entender melhor esses exoplanetas. Corey Beard, estudante de pós-graduação na UCI e autor principal do estudo, destacou que essa abordagem gerou mais conhecimento do que nunca sobre o sistema TOI-1136.

Representação artística da estrela anã TOI-1136 mostra como exoplanetas em órbita próxima são explodidos e esculpidos por radiação e explosões estelares, afetando suas atmosferas. Os pesquisadores da UCI dizem que a variabilidade magnética ao redor da estrela cria ruído, tornando as medições das massas dos exoplanetas mais difíceis. Crédito: Rae Holcomb e Paul Robertson / UCI

Esse sistema é diferente de qualquer outro já observado: é o único unicamente composto por mundos “sub-Netunos” – planetas que são maiores que a Terra, alguns com até o quádruplo do tamanho. Eles orbitam a estrela em menos de 88 dias, o que é mais rápido do que Mercúrio leva para dar uma volta ao redor do Sol.

O sistema TOI-1136 é jovem, com apenas 700 milhões de anos, o que o torna especial para os pesquisadores. Estrelas jovens são mais ativas, com mais magnetismo e atividades solares intensas, o que afeta a formação e evolução dos planetas.

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James Webb pode ajudar na análise das atmosferas dos exoplanetas

O estudo também sugere a possível presença de um sétimo planeta, embora isso ainda não tenha sido confirmado. Os cientistas observaram evidências de uma força ressonante no sistema, indicando interações gravitacionais entre os planetas.

Paul Robertson, coautor do estudo, destacou que o TOI-1136 é um sistema solar empolgante para a ciência. Segundo ele, o próximo passo seria investigar a composição das atmosferas planetárias, uma tarefa que o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, pode realizar com suas capacidades avançadas de espectroscopia.

A descoberta desse sistema solar intrigante é fruto de uma colaboração internacional, envolvendo pesquisadores de diversas instituições em todo o mundo. O financiamento para o estudo foi fornecido pela Fundação W.M. Keck, NASA e Fundação Nacional de Ciência dos EUA.