Orelha de macaco de 6 milhões de anos revela detalhes sobre a evolução humana

Cientistas utilizaram tomografias tridimensionais para recriar o ouvido interno de um Lufengpithecus, revelando detalhes da evolução humana
Por Ana Julia Pilato, editado por Bruno Capozzi 02/02/2024 00h20
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(Imagem: laikavoyaj / Shutterstock)
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Uma orelha de macaco de 6 milhões de anos pode indicar que o processo de evolução do bipedalismo humano – deslocamento sobre os dois membros posteriores – aconteceu em três etapas. O estudo do fóssil foi realizado por um grupo de cientistas e publicado na revista The Innovation em 29 de janeiro.

Entenda:

  • Um estudo publicado na The Innovation indica que a evolução dos primatas ao bipedalismo aconteceu em três etapas;
  • Cientistas analisaram o sistema vestibular com 6 milhões de anos de um macaco da espécie Lufengpithecus, do Leste Asiático;
  • Tomografias tridimensionais foram utilizadas para comparar o ouvido interno do Lufengpithecus aos de outras espécies de macacos e ancestrais humanos;
  • O estudo indica que, além de se balançar em árvores utilizando os braços, o Lufengpithecus também se movia pelo chão com os quatro membros, semelhante ao último ancestral comum dos macacos e humanos.

A descoberta foi feita após uma análise do sistema vestibular – responsável pelo equilíbrio do corpo – de um macaco Lufengpithecus, espécie do Leste Asiático. Os cientistas utilizaram tomografias tridimensionais do ouvido interno de um crânio fossilizado, comparando aos formatos de outras espécies de macacos vivos e extintos e ancestrais humanos da África, Europa e Ásia.

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O que foi descoberto no fóssil

Reconstituição do ouvido interno de um Lufengpithecus. (Imagem: Xijun Ni / Academia Chinesa de Ciências)

Como explica Terry Harrison, supervisor do estudo e antropólogo da Universidade de Nova York, à Popular Science, as primeiras espécies de macacos se locomoviam pelas árvores apenas com os braços. O Lufengpithecus, por sua vez, além de se balançar em galhos como seus antecessores, também tinha a capacidade de utilizar os quatro membros para andar pelo chão.

A maneira como o Lufengpithecus se movia era muito semelhante à do último ancestral comum dos macacos e humanos, e, como indica o estudo, foi a partir dessa mistura de movimentos que ocorreu a evolução até o bipedalismo humano.

“Mesmo que os humanos tenham gerado o bipedalismo durante a sua história evolutiva, viemos de um grupo de primatas muito incomuns que desenvolveram formas únicas de se movimentar no seu ambiente”, disse Harrison. “Então somos uma raridade.”

Ana Julia Pilato
Colaboração para o Olhar Digital

Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.

Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.