Conforme as pressões por regulamentação da inteligência artificial avançam, mais empresas começam a fazer lobbies no setor. Os acordos de influência chegaram a um recorde em 2023, aumentando 185% em relação a 2022, com 450 companhias querendo ter voz no que acontece com a IA e como ela os impacta.

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Lobby de IA

Os números foram levantados pela OpenSecrets a pedido da CNBC. Veja mais informações:

  • Em 2022, apenas 158 organizações participavam de algum lobby relacionado a IA. No ano passado, foram mais de 330 “novas” organizações nas negociações.
  • Segundo o jornal, desenvolvedoras como OpenAI (do ChatGPT) e Anthropic (do Claude) fazem parte do lobby, mas os participantes não se resumem a empresas diretamente ligadas ao setor. ByteDance (proprietária do TikTok), Tesla, Spotify, Shopify, Pinterest, Samsung, Nvidia e Dropbox são algumas das organizações com acordos relacionados a IA.
  • Nomes da indústria farmacêutica (como AstraZeneca), financeira (Andreessen Horowitz), de chips (AMD e TSMC), de telecomunicações, seguros e até de entretenimento (Disney) também participam.
  • O número de companhias com acordos desse tipo é crescente desde 2017, quando, de acordo com uma análise, apenas “um dígito” de empresas estavam envolvidas com algum lobby.
  • Nos lobbies com o governo federal americano (incluindo questões relacionadas a IA), as companhias desembolsaram mais de US$ 957 milhões.
Pessoa digitando em notebook com desenho colorido de aprendizado de inteligência artificial em cima
Imagem: NicoElNino/Shutterstock

Contexto

As empresas participantes dos lobbies querem ter voz em como o desenvolvimento de IA e a regulamentação podem afetar seus negócios.

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Isso vem em um contexto de avanço na regulamentação do setor. Em outubro do ano passado, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, emitiu uma ordem executiva sobre IA exigindo avaliações relacionadas à segurança, equidade, direitos civis e impacto da tecnologia no mercado de trabalho. A intenção era criar padrões para o uso da inteligência artificial.

Logo, grupos civis, legisladores e desenvolvedoras começaram a analisar o documento.

Líderes da sociedade civil falaram à CNBC em novembro, revelando que a ordem de Biden não é tão ampla no mundo real, especialmente em relação ao impacto da IA em grupos marginalizados. Ainda assim, eles reconhecem que é um avanço significativo em relação ao que vinha sendo feito.

Então, em dezembro, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia do Departamento de Comércio dos EUA começou a recolher comentários das empresas sobre a melhor forma de estabelecer regras para o setor.

Ao que parece, as companhias perceberam o movimento e correram para se blindar de padrões que as prejudiquem.