Uma jabuti do Brasil ganhou uma nova oportunidade para andar com a ajuda de uma impressora 3D. O animal ficou paralisado depois de um procedimento para corrigir uma condição reprodutiva, mas agora ela anda sobre rodas.

  • A Jabuti, que pesa cerca de 20 quilos, é chamada de Filó e antes de ficar sem andar sofria de retenção de óvulos;
  • Essa condição ocorre devido à falta de luz, dieta inadequada e outros fatores de estilo de vida que acabam prejudicando a produção de calcário do animal;
  • Com isso, os ovos da jabuti ficam fracos e quebram ainda no sistema reprodutor dela, liberando seu material e criando um ambiente ideal para infecção bacteriana.

A operação da jabuti deu errado

Quando essa condição é diagnosticada, um procedimento simples de remoção dos óvulos e do sistema reprodutor do animal é realizado. No entanto, no caso da Filó, o médico veterinário que realizou a operação não era especializado em répteis, resultando na necrose da parte inferior da carapaça que protege o abdômen, conhecido como osso plastrão. Parte dele se rompeu e acabou expondo a membrana celômica.

Além da perda de parte da carapaça, a jabuti também desenvolveu paralisia parcial dos membros pélvicos, tornando difícil para ele se movimentar e obter comida. De acordo com o médico veterinário especialista em animais exóticos, Giuliano Setem, que está cuidando da Filó após as complicações, ainda não está claro se a perda de mobilidade foi causada por problemas pós-operatórios ou pela retenção dos óvulos.

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A prótese com rodas

Independentemente disso, Setem teve que pensar fora da caixa para fazer com que o jabuti voltasse a andar. Em parceria com o designer Cícero Moraes, o médico veterinário encontrou uma solução para Filó, uma prótese com rodas.

Anteriormente, Moraes foi o responsável por fazer a primeira carapaça 3D do mundo. No caso da Filó, ele analisou a tomografia computadorizada do animal para projetar uma prótese que protegesse a membrana celômica e ainda, sim, aumentasse a mobilidade da jabuti. Em resposta ao IFLScience o designer explicou como a projetou.

É uma base que se fixa, de forma não retentiva, ao defeito causado pelo procedimento cirúrgico, a fim de proteger a região de elementos externos, [e] ao mesmo tempo, saem quatro estruturas, cada uma com uma roda girando, o que permite que Filó ande sem colocar todo o peso nas patas. 

Cícero Moraes