As cepas da Covid-19 criaram vírus distintos, com diferentes sintomas e gravidade no corpo humano. Dentre os sete coronavírus existentes, pesquisadores descobriram que os restos de três deles são responsáveis por doenças potencialmente letais. Isso porque, mesmo após uma infecção e cura, o vírus “zumbi” destruído pelo sistema imunológico pode continuar agindo no corpo humano.

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Vírus “zumbi” da Covid-19 continua atacando

Os pesquisadores explicaram que, desde o surgimento do vírus da Covid-19 em 2020, sete tipos de coronavírus ainda infectam humanos. Quatro deles são relativamente inocentes, causando infecções respiratórias leves. No entanto, outros três (SARS, SARS-CoV-2 e MERS) são perigosos.

O problema é que, mesmo depois que o sistema imunológico os destrói e cura o paciente da Covid-19, eles podem continuar agindo.

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O que os faz assim não está claro exatamente, mas um novo estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) tem uma hipótese. Usando um sistema de IA, eles descobriram que o SARS-CoV-2 é destruído e decomposto em fragmentos no corpo humano pelo sistema imunológico.

Em situações normais, os “restos” do vírus viram inócuos (não causam danos ao corpo) e são usados para treinar o sistema para reconhecimento futuro, podendo combatê-lo. No caso dos vírus estudados, não é isso que acontece e os fragmentos decompostos continuam desencadeando respostas do corpo associadas a doenças graves e hiperinflamação.

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(Imagem: Nhemz / Shutterstock)

Investigações do SARS-CoV-2

  • Para estudar os casos dos vírus “zumbi”, os pesquisadores rastrearam todas as possíveis combinações que poderiam ser criadas pelas proteínas decompostas do SARS-CoV-2;
  • Segundo o New Atlas, eles também usaram um sistema de aprendizado de máquina para medir as características inflamatórias dessas potenciais combinações;
  • A partir dai, descobriram que os fragmentos do vírus se parecem com uma combinação interpretada pelo corpo como necessidade de aumento da resposta inflamatória, responsável pela hiperinflamação;
  • Isso pode causar, por exemplo, artrite reumatóide, psoríase e lúpus.
Ilustração do vírus Sars-Cov-2
SARS-CoV-2 (Imagem> Dotted Yeti/Shutterstock)

E agora?

Agora, os pesquisadores estão comparando os fragmentos dos vírus “zumbi” do SARS-CoV-2 com os da Covid-19 “inofensiva”. Eles descobriram que a composição é muito diferente e que o vírus responsável apenas pelo resfriado não estimula uma resposta inflamatória do corpo da mesma forma.

Além disso, a pesquisa descobriu que mesmo os fragmentos de Covid-19 “letal” se parecem com o do vírus completo, antes de ser combatido pelo sistema imunológico.

Apesar dos sintomas e da gravidade varia de pessoa para pessoa, isso pode explicar porque a variação SARS-CoV-2 é responsável por doenças mais graves do que outras variações da Covid-19. Também é uma resposta do porquê alguns infectados sequer têm sintomas enquanto outros têm casos graves.