Pela primeira vez, um paciente recebeu um implante cerebral para tratamento de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) no Brasil. O procedimento foi realizado com sucesso no fim do ano passado, no Hospital SOS CARDIO, em Florianópolis (SC).

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O que é TOC?

  • O transtorno obsessivo-compulsivo gera pensamentos e medos irracionais e obsessões que levam a comportamentos compulsivos e até afastamento social, como ansiedade extrema.
  • Entre os exemplos estão o medo excessivo de germes ou a necessidade de sempre organizar objetos de uma certa maneira.
  • Os sintomas são graduais e a intensidade por variar com o passar dos anos.
  • O tratamento inclui apenas psicoterapia ou combinação com medicamentos.
  • Objetivo é encorajar o paciente a enfrentar seus medos e a diminuir seus rituais compulsivos”, explicou o psicólogo Luís Fernando Zambom, mestre em psicologia clínica pela PUCRS e professor da Famaqui (Faculdade Mário Quintana), em entrevista ao Uol.

Como é o tratamento com implante cerebral

A nova opção para o tratamento de TOC é conhecida em tradução livre como ‘estimulação profunda do cérebro (ou pela sigla DBS, Deep Brain Stimulation). Em resumo, um dispositivo inserido por meio de uma pequena abertura no crânio promete melhorar os sintomas de origem neurológica usando eletroestimulação. 

Finos eletrodos emitem pulsos elétricos controlados em partes do cérebro para equilibrar a atividade neural, gerando alívio para o paciente, explica a reportagem do Uol. Segundo os médicos, a cirurgia demora em média 4 horas.

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Áreas que recebem os eletrodos em destaque. Imagem: Arquivo pessoal/Wuilker Knoner Campos.

Como não existe uma cura definitiva para o TOC, o tratamento é prolongado por toda a vida. Assim, o paciente continua em acompanhamento de médicos, que podem monitorar o implante remotamente via Bluetooth.

É feita uma programação no computador e enviada ao aparelho do paciente. Os eletrodos colocados no cérebro se comunicam por cabos com uma bateria (gerador) que fica implantada abaixo da pele no tórax, exatamente igual ao do marca-passo cardíaco

Wuilker Knoner Campos, neurocirurgião, em entrevista ao Uol

Segundo o especialista, o gerador implantado no tórax dura até dez anos, por isso, precisa ser trocado com o passar do tempo. O processo, no entanto, é bem menos invasivo.

Quem deve receber o implante?

O implante é uma nova opção para casos crônicos ou mais graves, em que medicamentos e terapia não resultam em melhora.

Quanto custa?

Segundo as informações do UOL, o custo médio de todo o procedimento é em torno de R$ 100 mil. O SUS já realiza o mesmo processo, só que para o tratamento de outras doenças (epilepsia e Parkinson, por exemplo).

O uso para tratamento de doenças psiquiátricas ainda carece de avaliação do Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e planos de saúde, informa o neurocirurgião.