Uma nova célula que “lembra” alergia, essa foi a descoberta inovadora de pesquisadores da Universidade McMaster em parceria com a farmacêutica dinamarquesa ALK-Abello A/S. A novidade promete auxiliar na criação de novas terapias, espera Josh Koenig, professor de Medicina na instituição e co-líder do estudo.

“Descobrimos que pessoas alérgicas tinham células B de memória do alérgeno, mas pessoas não alérgicas tinham muito poucas”, disse o especialista.

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O que são células B?

Uma célula B de memória tipo 2 (ou MBC2) é um tipo de célula imunológica que produz anticorpos, ajuda a combater infecções, mas também pode causar alergias.

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“Digamos que você seja alérgico a amendoim. Seu sistema imunológico ‘lembra’ que você é alérgico a amendoim e, quando o encontra novamente, cria mais anticorpos que o tornam alérgico”, explica Koenig.

Como foi feito o estudo

Pesquisadores examinaram amostras de sangue de crianças com alergia a amendoim para identificar a origem dos anticorpos causadores de alergias. As descobertas revelaram uma população maior de células B de memória tipo 2.

  • Para chegar ao resultado, os investigadores criaram tetrâmeros – um tipo de molécula fluorescente –, a partir de alergênios como pólen e amendoim, para localizar células B de memória.
  • Usando tecnologia de ponta, como sequenciamento de repertórios genéticos de anticorpos, eles conseguiram fazer conexões diretas entre MBC2 e o IgE, o tipo de anticorpo que desencadeia uma reação alérgica.
  • Isto forneceu o contexto necessário para descobrir que as células MBC2 funcionam como uma espécia de “lar das alergias”.

O que muda com a descoberta

Mesmo que as alergias sejam a doença mais prevalente em todo o mundo, ainda não é totalmente compreendido como ela ocorre e evolui para uma condição que dura a vida toda. Encontrar as células que retêm a memória de IgE é um passo fundamental e uma mudança de jogo na nossa compreensão do que causa a alergia e como o tratamento, como a imunoterapia, pode modificar a doença

Peter Sejer Andersen, vice-presidente sénior e chefe de investigação da ALK e co-líder do estudo.

Como mencionado antes, o resultado pode abrir portas para pelo menos duas novas terapias para o tratamento de alergias e oferece uma nova esperança para quem é afetado pelo problema. É o que diz também Kelly Bruton, que co-liderou a pesquisa ao lado de Koenig: “A primeira é visar esses MBC2s e eliminá-los de uma pessoa alérgica. A outra opção poderia envolver a mudança de sua função e fazer com que elas (as células B de memória tipo 2) façam algo que não seja prejudicial quando o indivíduo for exposto ao alérgeno”.

“Esses são os tipos de descobertas que você realmente precisa fazer para desenvolver a terapêutica certa para bloquear as células certas e parar a doença”, conclui Koenig.

As informações são do Medical Xpress. A pesquisa foi publicada pela Science Translational Medicine.