Um grupo de pesquisadores conseguiu descobrir a temperatura da cratera Chicxulub logo depois que o asteroide que matou os dinossauros colidiu com a Terra. Usando um paleotermômetro, eles foram capazes de determinar que as rochas chegaram a temperatura máxima de 330 graus Celsius.

Na pesquisa publicada recentemente na revista PNAS Nexus, os cientistas liderados pelo geólogo da Universidade Livre de Bruxelas, Pim Kaske, estudaram amostras da cratera coletadas em 2016. Com as rochas, eles conseguiram não só determinar a temperatura em que a cratera chegou momentos depois do impacto, como também descobriram que a colisão não liberou tanto dióxido de carbono quanto se pensava.

Dinossauros
(Imagem: Herschel Hoffmeyer/ Shutterstock)

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A cratera de Chicxulub

  • A cratera Chicxulub se formou quando um asteroide com cerca de 12 quilômetros de diâmetro, viajando a 43 mil quilômetros por hora, colidiu com a Terra;
  • O resultado foi uma bacia com cerca de 200 quilômetros de largura onde atualmente é o Golfo do México;
  • O evento marcou o início dos eventos que extinguiram os dinossauros e o fim do período Cretáceo, que durou de 145 milhões a 66 milhões de anos atrás.

O impacto desencadeou violentas ondas de tsunami que preencheram a cratera com sedimentos minutos e horas depois. Desde lá, a Chicxulub tem sido constantemente coberta com camadas de pedra, que apesar de dificultar o acesso do material de logo depois da colisão, também o ajudou a preservar. Em resposta ao WordsSideKick.com, Kaske apontou que só foi preciso encontrar as pedras certas para conseguir determinar a temperatura da cratera após a colisão.

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Medindo a temperatura das pedras

Usando termometria de isótopos aglomerados de carbonato, os pesquisadores conseguiram determinar a abundância de ligações isotópicas pesadas de carbono -13 e oxigênio-18 dos minerais carbonáticos, e assim reconstruir as temperaturas antigas 

Embora a temperatura imediata do impacto tenha sido de dezenas de milhares de graus Celsius, essas rochas provavelmente foram vaporizadas. No entanto, os pesquisadores conseguiram encontrar rochas que disseram qual era a temperatura da cratera após isso.

A cerca de 700 metros abaixo do fundo do oceano, as rochas tinham uma assinatura de temperatura de 330 graus Celsius, o que é mais alto que os 35,5 °C do Oceano no final do Cretáceo, e que os 50 a 200 °C da atividade hidrotermal abaixo da cratera. Assim, restaram aos cientistas associar essa temperatura elevada ao impacto do asteroide e os processos que ele desencadeou.

Acredita-se que o que aconteceu foi a descarbonatação térmica e reação reversa rápida, na qual o óxido de cálcio (CaO) altamente reativo é recombinado com o dióxido de carbono (CO₂), provavelmente liberado da vaporização das rochas, para formar novos cristais de carbonato de cálcio (CaCO₃). Caso tenha sido realmente esse processo, menos dióxido de carbono foi parar na atmosfera depois do impacto, o que pode mudar como os cientistas acreditam que aconteceu o evento de extinção em massa que sucedeu à colisão.

Agora, os pesquisadores esperam usar o paleotermômetro para estudar outras crateras e aprender mais sobre a colisão de asteroides.