Esta quarta-feira (14) representa um marco importante para a astronomia: o Telescópio Espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), começou oficialmente (e finalmente) sua épica pesquisa do Universo escuro. 

Nos próximos seis anos, este gigante da ciência espacial observará bilhões de galáxias, ao longo de 10 bilhões de anos de história cósmica. Mas, antes disso, vamos mergulhar nos bastidores e descobrir como a equipe preparou o Euclid para essa monumental jornada.

Sobre o telescópio Euclid:

  • Lançado em 1º de julho, o telescópio espacial Euclid foi projetado para investigar o chamado Universo escuro, sendo um dos observatórios espaciais mais precisos e estáveis já construídos;
  • Ele está posicionado a cerca de 1,6 milhão de km da Terra, orbitando o chamado “Segundo Ponto de Lagrange” (L2) no sistema Terra-Sol (onde também opera o Telescópio James Webb);
  • De forma resumida, o propósito da espaçonave é analisar inúmeras galáxias que residem a cerca de 10 bilhões de anos-luz de distância, construindo o mais extenso mapa 3D do cosmos para explorar a composição e a evolução do Universo sombrio.

Uma das grandes vantagens do Euclid é sua capacidade de observar vastas áreas do céu de uma só vez, algo essencial para uma missão que visa mapear mais de um terço do céu ao longo de seis anos. Ele segue um modo de observação chamado “passo a passo”, dedicando cerca de 70 minutos para observar uma área, produzindo imagens e espectros, e depois movendo-se para a próxima área em apenas quatro minutos. Ao longo de toda a missão, o Euclid realizará mais de 40 mil dessas observações.

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O objetivo principal do equipamento é medir detalhadamente as formas de bilhões de galáxias ao longo de bilhões de anos, proporcionando uma visão 3D da distribuição da matéria escura em nosso Universo. 

Logo após o início da fase de comissionamento, a equipe enfrentou um grande desafio. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, descobriu-se que uma pequena quantidade de luz solar indesejada estava atingindo um de seus instrumentos, mesmo com o escudo solar da espaçonave voltado para o Sol. Isso exigiu uma rápida reavaliação e reconfiguração das operações de pesquisa.

Foi uma corrida contra o tempo, com equipes de ciência, engenharia e indústria trabalhando juntas para encontrar uma solução. A nova estratégia envolveu ajustar a orientação do telescópio em relação ao Sol para minimizar a interferência da luz solar. 

Após intensos esforços, a melhor solução foi encontrada, embora isso tenha significado uma pequena redução na eficiência das operações, segundo um comunicado da ESA, que revela que a partir deste dia o Euclid está pronto para iniciar oficialmente sua pesquisa.

Lentes gravitacionais fracas

Ao investigar como o Universo se expandiu e como a estrutura em grande escala está distribuída no espaço e no tempo, Euclid pretende revelar mais sobre o papel da gravidade e a natureza da energia escura e da matéria escura. 

Para atingir esse objetivo, o telescópio está preparado para obter imagens ultranítidas de grandes faixas do céu em comprimentos de onda visíveis e infravermelhos.

Durante seu trabalho, o observatório espacial europeu fará uso de lentes gravitacionais fracas, um fenômeno cósmico que ocorre devido ao alinhamento casual de galáxias ou conglomerações de matéria, o que permite que galáxias em primeiro plano se comportem como uma lente de aumento gigante de objetos que estiverem atrás delas. 

Imagem retangular mostrando uma projeção oval do céu noturno e as áreas que o telescópio espacial Euclid irá observar ao longo de seis anos de pesquisa. Crédito: Consórcio ESA/Euclid

Como a matéria visível compreende apenas 10% ou mais da massa total da maioria dos aglomerados de galáxias, os cientistas suspeitam que partículas invisíveis de matéria escura sejam responsáveis por grande parte desse efeito. 

Assim, as imagens de aglomerados de galáxias podem ajudar a compreender o comportamento e a natureza da matéria escura – no entanto, tais imagens precisam ser de uma altíssima nitidez, o que significa que veremos registros cada vez mais fascinantes obtidos por Euclid.

Observações científicas de Euclid serão divulgadas anualmente

Atualmente, o telescópio está focado em uma mancha de 130 graus quadrados, uma área impressionante que ultrapassa mais de 500 vezes o tamanho da lua cheia. Ao longo dos próximos 14 dias, o equipamento vai explorar essa região, que fica entre as constelações de Caelum e Pictor, no Hemisfério Sul celeste.

Em novembro do ano passado, foram divulgadas as cinco primeiras imagens operacionais coloridas do cosmos feitas pelo revolucionário telescópio Euclid. Os dados que ele coletará ao longo de seis anos no espaço serão divulgados ao mundo em lançamentos anuais.