A Amazon terá de pagar US$ 1,9 milhão (R$ 9,49 milhões, em conversão direta) a mais de 700 trabalhadores migrantes para solucionar violações de direitos humanos em dois armazéns na Arábia Saudita. A empresa de varejo reconheceu as violações em postagem em seu blog, que incluíam moradias precárias e salários atrasados.

Violação de direitos humanos pela Amazon

Além do pagamento milionário, a Amazon revelou em postagem em seu blog que contratou empresa especialista em direitos trabalhistas para investigar a situação dos dois armazéns no qual os 700 empregados trabalhavam.

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Conforme reportou a CNBC, a Verité identificou “acomodações de moradia precárias, irregularidades contratuais e salariais, e atrasos na resolução de reclamações de trabalhadores” na cadeia de abastecimento da Amazon.

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A análise vem após reclamações de violações de direitos humanos por parte da empresa, que já haviam motivado Relatório da Anistia Internacional em outubro do ano passado. O documento detalhou as condições dos trabalhadores na Arábia Saudita e que, inclusive, muitos deles eram “altamente propensos a serem vítimas de tráfico de pessoas”.

O relatório também disse que a Amazon sabia das violações e não tomou medidas para impedir os abusos.

Imagem: Sergei Elagin/Shutterstock

Mais denúncias de violação

  • Outros relatórios já haviam dado detalhes das violações de direitos humanos da Amazon, como os do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e dos Repórteres Árabes para Jornalismo Investigativo;
  • Ambas investigações descobriram que a empresa de varejo fez os trabalhadores pagarem até US$ 2,04 mil (R$ 10,19 mil) para serem contratados nos armazéns, o que forçou muitos deles, migrantes, a acumularem dívidas;
  • Eles também viviam em condições precárias. Um funcionário anônimo relatou que morava em um quarto com sete outros homens, em beliches cheias de percevejos;
  • A água no local era considerada salgada e intragável. A Anistia Internacional afirmou que, nas moradias, “faltavam até as instalações mais básicas”;
  • A conclusão no processo contra a Amazon foi de tráfico de seres humanos para fins de exploração da força de trabalho.

O que disse a Amazon e multa milionária

Além de contratar a empresa terceirizada, a Amazon alegou que corrigiu as violações mais sérias nos armazéns e nas acomodações dos funcionários sauditas.

Já a multa de US$ 1,9 milhão (R$ 9,49 milhões) será paga, mas, apesar de parecer muito, chega a apenas US$ 2,71 mil (R$ 13,55 milhões) por funcionário. Como lembra o Engadget, a companhia lucrou US$ 576 bilhões (R$ 2,87 trilhões) em 2023, mais de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,49 bilhões) por dia.

Ainda, a varejista não tem histórico bom quando se trata de mão-de-obra. A Amazon é conhecida por ser anti-sindical, desincentivando greves, e enfrenta investigações federais em mais de um país por expor trabalhadores a riscos desnecessários em seus armazéns.