Um cometa deve passar pela Terra entre este e o próximo mês. Embora ele não ofereça riscos para o planeta, os cientistas estão pedindo que os astrônomos amadores foquem seus telescópios nele. Isso porque a observação da cauda desse corpo celeste pode ajudar a entender o clima espacial e evitar que ventos solares causem danos à tecnologia na Terra e aos satélites e astronautas no espaço.

Vamos entender:

  • Os ventos solares podem afetar as caudas dos cometas (como vimos acontecer com o Nishimura, no ano passado);
  • A observação desses eventos pode ajudar a determinar a força e direção dos ventos solares;
  • Ao compreender a dinâmica do material ejetado pelo Sol e o clima espacial, os estudiosos podem evitar maiores danos quando os ventos solares atingem a Terra;
  • Assim, um projeto está convidando astrônomos amadores para observar o cometa C/2021 S3 Panstarrs, fazendo com isso uma contribuição importante para a ciência.

O cometa C/2021 S3 Panstarrs está tão distante da Terra quanto o planeta está do Sol. O objeto passou pelo ponto de maior proximidade com a Terra em 14 de fevereiro, mas apenas em março ele vai atingir o máximo brilho. 

Deve ficar mais fácil observá-lo nas próximas semanas, já que ele ficará mais longe do Sol e deve permanecer acima do horizonte no céu por mais tempo. A previsão é que o cometa fique visível até o final de março. 

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Os astrônomos estão focados em olhar para o objeto para observar as flutuações da sua cauda, que se for atingida pelos ventos solares pode acabar se separando do cometa. Assim, a partir dessas observações, é possível determinar a força e a direção das partículas emitidas pelo Sol. 

Se a cauda oscilar ou separar do cometa, provavelmente terá ocorrido um aumento na atividade do vento solar nas proximidades. Melhorar o entendimento sobre esses eventos pode ajudar a fazer melhores previsões do clima espacial e evitar que satélites e astronautas no espaço e a tecnologia de comunicação da Terra sejam prejudicados pelos ventos solares.

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Mapeamento cronometrado do cometa

Liderado por Sarah Watson, estudante de Ph.D. da Universidade de Reading, na Inglaterra, o projeto tem como intuito conseguir o maior número possível de fotos cronometradas do cometa para construir uma imagem detalhada da sua trajetória no Sistema Solar.

Em comunicado, a pesquisadora apontou que essa é uma oportunidade para os astrônomos amadores usarem seus telescópios para observar um momento cósmico espetacular, ao mesmo tempo que fazem uma contribuição importante para a ciência.

Para obter seus registros, os fotógrafos devem procurar um objeto difuso para identificar a cabeça do cometa e um traço brilhante atrás dele para identificar a cauda. É recomendável usar um app ou site de astronomia (como Star WalkStellarium ou SkySafari) para ajudar a localizá-lo.

As imagens obtidas devem ser enviadas juntos com os dados sobre localização e horário para o e-mail [email protected]. As melhores fotografias serão enviadas para a Associação Astronômica Britânica para serem arquivadas.