Descoberto em agosto, já muito próximo da Terra (algo extremamente raro), o cometa  C/2023 P1 Nishimura, o mais brilhante de 2023, passou pela órbita do nosso planeta há duas semanas, pouco antes de atingir o periélio – ponto mais próximo do Sol.

Na ocasião, muitos astrofotógrafos e entusiastas de cometas trataram de obter os melhores registros possíveis do objeto, que corria o risco de se desintegrar quando chegasse perto da nossa estrela e nunca mais ser visto. Nishimura sobreviveu, mas, de qualquer forma, a oportunidade de fotografá-lo foi única, já que ele só deve aparecer por aqui novamente dentro de 434 anos.

Embora o Sol não tenha pulverizado o cometa, isso não quer dizer que ele não tenha sido atingido pela constante fúria do astro.  

Vamos entender:

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  • Este cometa foi visto pela primeira vez caindo rapidamente em direção ao Sol em 12 de agosto, pelo astrônomo amador japonês Hideo Nishimura (por isso, o nome de C/2023 P1 Nishimura);
  • De início, se pensava ser um objeto interestelar, no entanto, descobriu-se que ele vinha da Nuvem de Oort, um reservatório de cometas e outros objetos gelados para além de Netuno;
  • Medições apontaram que o cometa Nishimura tem uma órbita altamente elíptica que o leva ao Sistema Solar interno aproximadamente a cada cerca de 430 anos;
  • Em 12 de setembro, ele atingiu seu ponto mais próximo da Terra, quando passou a 125 milhões de quilômetros do nosso planeta – que equivale a quase 500 vezes a distância média daqui até a Lua;
  • Nos dias próximos a essa data, o cometa estava claramente visível perto do horizonte pouco antes do amanhecer e logo após o pôr do Sol;
  • Em 17 de setembro, Nishimura atingiu sua distância mínima do Sol (cerca de 33 milhões de km);
  • Esse tipo de encontro próximo muitas vezes pode fazer com que cometas queimem e se quebrem. No entanto, os astrônomos logo descobriram que Nishimura havia sobrevivido;
  • Ao iniciar a jornada para longe do Sol, o cometa estava na mira da sonda Solar Terrestrial Relations Observatory (STEREO-A), da NASA;
  • Na última sexta-feira (22), ele foi atingido por jatos de plasma liberados por uma forte erupção solar;
  • Também chamados de ejeção de massa coronal (CME), esses jatos foram flagrados pela STEREO-A provocando a desconexão da cauda do cometa. 

Desconexão da cauda do cometa é temporária

Karl Battams, astrofísico do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, que produziu o vídeo do evento com base nas imagens da STEREO-A, explicou ao site Live Science que a desconexão da cauda é um efeito temporário e “totalmente inofensivo” para o cometa. Depois, a cauda volta a crescer à medida que mais poeira e gás são expelidos do objeto.

Esta, inclusive, não é a primeira vez que Nishimura perde a cauda. No início de setembro, um par de CMEs bateu no cometa, causando um evento de desconexão.

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Embora seja constantemente bombardeado pelo Sol, o cometa tem sido surpreendentemente “bem comportado” e permanece em sua trajetória original, segundo Battams.

O astrofísico revelou que novos eventos de desconexão da cauda de Nishimura não estão descartados, já que as tempestades solares estão cada vez mais numerosas e frequentes conforme o Sol se aproxima do seu pico de atividade, esperado para 2025.