Fim da missão Chandra, da NASA: o que isso significa para a ciência?

Pesquisadores estão preocupados com o possível fim da missão Chandra, após a NASA anunciar corte significativo no orçamento
Flavia Correia
Flavia Correia 25/03/2024 14:00, atualizada em 26/03/2024 21:14

Conforme noticiado pelo OlharDigital, a NASA anunciou seu orçamento para 2025 (acesse aqui), mantendo a cifra de US$25.383.700.000, mesmo valor de 2023 e deste ano. Embora possa parecer uma quantia astronômica, esse montante representa menos de 0,4% do orçamento total dos EUA para o ano que vem – e pode significar o começo do fim da missão do Observatório de Raios-X Chandra.

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Progressivamente, a verba destinada a esse telescópio vai diminuir. O orçamento cairá de US$41,1 milhões em 2025 para US$26,6 milhões em 2026, por exemplo.

Embora esteja prestes a completar 25 anos em julho, o Chandra continua a fornecer observações de alta qualidade do universo em raios-X, superando até mesmo observatórios mais recentes. A NASA planeja manter o telescópio com um orçamento de apenas US$5,2 milhões até 2029.

O Observatório de Raios-X Chandra foi lançado pela NASA em 1999. Imagem: NASA

Na semana passada, uma carta foi publicada no site oficial da missão, assinada por Patrick Slane, diretor do Centro de Raios-X Chandra. No documento, ele afirma que a equipe está comprometida a “defender fortemente o apoio total contínuo do Chandra, que a comunidade astrofísica reconhece como uma instalação altamente funcional que fornece ciência transformacional e apoio crucial para muitos dos principais objetivos astrofísicos da NASA”.

Por que a NASA vai diminuir a verba do Chandra

Segundo a agência, a redução no financiamento do Chandra é necessária devido à deterioração gradual da espaçonave ao longo do tempo, o que aumenta os custos de manutenção. 

No entanto, a proposta de orçamento para os próximos anos indica um cenário desafiador, deixando muitos astrônomos perplexos e preocupados com os rumos da pesquisa científica.

Desde seu lançamento em 1999, o Observatório Chandra tem sido um aliado importante para os cientistas, revelando segredos cósmicos por meio de imagens de alta resolução em raios-X. Seu papel na compreensão de buracos negros e eventos estelares tem sido fundamental, fornecendo dados valiosos que moldam nossa visão do Universo. 

Uma visão real do Observatório de Raios-X Chandra depois de ser implantado pela missão STS-93 do ônibus espacial Columbia em 23 de julho de 1999. Crédito: NASA

A notícia do corte orçamentário abalou a comunidade científica, especialmente os pesquisadores que dependem do Chandra para suas investigações. A possibilidade do fim da missão deixou muitos em estado de choque, diante da perspectiva de perder uma ferramenta tão vital para a exploração espacial. “Mas a energia para reverter essa decisão é alta”, garantiu Slane ao site Space.com.

Decisão final da agência ainda está pendente

Segundo Slane, a capacidade única do Chandra de capturar imagens de alta resolução em raios-X ofereceu uma visão sem precedentes de fenômenos cósmicos, como nunca antes visto. Sem ele, os pesquisadores enfrentariam dificuldades significativas.

Embora existam outros projetos em desenvolvimento, como o observatório de raios-X Athena, da Agência Espacial Europeia (ESA), eles ainda não conseguem igualar a qualidade e a precisão do Chandra. Além disso,esses projetos também têm sofrido seus próprias restrições de financiamento.

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“O observatório de raios-X Athena, que está sendo desenvolvido pela ESA – embora atualmente sofra pressões orçamentárias próprias – forneceria muitas capacidades semelhantes, com área de coleta muito maior, mas com resolução angular que ficará aquém das capacidades de imagem requintadas do Chandra”, disse Slane.

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A decisão final sobre o destino do Chandra ainda está pendente, devendo ser anunciada no próximo mês, mas as perspectivas não são promissoras. O orçamento proposto pela NASA reduziria drasticamente os recursos disponíveis para manutenção e operação, tornando cada vez mais difícil manter a missão em andamento. Os cientistas aguardam ansiosamente por uma solução que preserve o legado do Chandra e permita que a ciência continue avançando.

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Futuro da pesquisa de buracos negros está ameaçado

Slane explica que a possível desativação do Chandra também levanta preocupações sobre o futuro da pesquisa em buracos negros. Os cientistas lutam para entender esses fenômenos misteriosos e fundamentais para a compreensão do Universo, e sem o Chandra, suas investigações podem ser interrompidas, deixando questões importantes sem resposta.

Jonathan McDowell, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, expressou sua frustração no X (antigo Twitter), compartilhando a preocupação de muitos de seus colegas com seus empregos. Ele enfatizou a importância contínua do Chandra para a pesquisa científica e lamentou a possibilidade de sua desativação.

“Dia bastante deprimente no trabalho hoje, com muitos funcionários atualizando seus currículos enquanto lidamos com a decisão da NASA de desligar o Chandra, o único telescópio espacial de raios-X de alta resolução do mundo, ainda retornando fabulosas descobertas científicas. Ainda torcendo para que isso possa ser revertido”, publicou.

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Na mesma plataforma, Dan Wilkins, astrofísico do Instituto Kavli de Astrofísica de Partículas e Cosmologia da Universidade de Stanford, destacou o valor contínuo das descobertas feitas com o Chandra.

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“O pedido de orçamento Ano Financeiro 24/25 da NASA encerra a missão Chandra. Isso seria um golpe devastador para a astrofísica nos EUA. Após 24 anos de lançamento, Chandra ainda está fazendo ciência extremamente impactante, agregando enorme valor aos programas Telescópio Espacial James Webb e sendo vital na era da astronomia no domínio do tempo”.

Em resumo, a desativação do Chandra representaria não apenas a perda de um observatório espacial valioso, mas também um golpe para a exploração científica e para a compreensão do Universo. 

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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